Depois de um longo dia, nada melhor do que abrir o chuveiro e esquecer do mundo. Esse gesto é banal para nós, mas nem sempre foi assim. Antes da implementação do abastecimento de água e do saneamento – que no Brasil só se expandiu na década de 70 –, para tomar banho era preciso uma banheira, baldes ou canecas. O brasileiro, porém, sempre deu seu jeito para se banhar. Somos um dos povos que mais aprecia esse hábito de higiene e não somente porque habitamos um país tropical como também porque não vivemos os tabus europeus sobre os banhos durante a Idade Média, que perduraram por séculos.
O banho já foi símbolo de purificação e limpeza, associado à origem da vida e para o qual foram atribuídos poderes de cura e regeneração. Ao mesmo tempo, também foi ligado ao contágio de doenças, à gravidez de damas castas, ao apelo sexual e à idéia de que seria capaz de deixar uma pessoa a toda sorte de perigos.
Quando, em 1500, Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, vinha de uma Europa que tinha horror à água. A imagem dos índios nus, que adoravam se jogar no rio, surpreendeu os portugueses, mas aos poucos nossos colonizadores foram se despindo e gostando de se banhar.
Essa ojeriza ao banho não era preguiça ou um menor apreço à higiene. Gregos e romanos adoravam água e se banhavam com gosto em piscinas públicas. As salas de banho eram locais de encontro e até teste de popularidade para os políticos. A peste bubônica, que matou milhares de pessoas na Europa no século 14, tirou esse gosto dos europeus. Acreditava-se que o contato com a doença poderia se dar nos banhos públicos e com isso eles foram condenados. As salas de banhos foram fechadas e a população encontrou outras formas de se limpar. Os corpos eram esfregados com tecido perfumado e os cabelos escovados com pó. As roupas de baixo brancas eram sinônimo de limpeza e principalmente os nobres as trocavam constantemente. Água somente para as partes aparentes: rosto e mãos.
Tempos depois, com os estudos sobre microorganismos, os europeus começaram a aceitar a água em todo o corpo novamente. Mas não foi de uma hora para outra. Os banhos eram tão repelidos que no século 18 os médicos tiveram de iniciar uma campanha para incentivá-lo. Um congresso internacional sobre higiene escolar realizado em Paris, em 1910, recomendou que as escolas tivessem chuveiros nos quais as crianças seriam banhadas uma vez por semana.
Já nos Estados Unidos, nessa mesma época, proclamava-se que banho freqüente, até diários, era um hábito saudável. Em todas as Américas essa idéia pegou.
O bom banho
Além das propriedades relaxantes e ativadoras da circulação, a principal função do banho é a higiene. Do ponto de vista médico, o banho ideal é rápido e com água morna. Conforme a dermatologista Karin Helmer, não se deve tomar mais do que um banho por dia para não haver ressecamento e agressão à cutis.
A água quente e o uso de sabonetes removem a oleosidade natural da pele, que tem função de proteção contra alergias e infecções. “O uso de buchas e esponjas também não é adequado, pois agride ainda mais a pele”, diz Karin.
O ideal é um banho rápido, de 3 a 5 minutos, com utilização de sabonetes suaves ou neutros. Principalmente para as pessoas que têm pele ressecada, é recomendado que se utilize um hidratante logo após o banho. “Não é fácil seguir essas dicas, principalmente com o nosso clima que favorece um banho quente e demorado e desencoraja a aplicação do hidratante”, diz a médica.
Segundo a dermatologista paulista Shirlei Borelli, a temperatura ideal da água no banho deve ser entre 25 a 30 graus. “Não se deve sentir calor quando se toma banho”, diz.
O ressecamento da pele pode causar coceira, infecção, além de aspereza. A água fria faz bem para o corpo. Nos dias mais quentes, pode-se usar ducha fria para finalizar e produzir um estímulo de despertar após o banho quente. Os dermatologistas aconselham o uso apenas nas partes íntimas, pescoço, face, mãos e pés.
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Serviço
Karim Helmer (dermatologista), fone (41) 3363-4555. Shirlei Borelli (dermatologista), e-mail clinssb@uol.com.br.
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