Moda e beleza
Glória Coelho, por exemplo, fez roupas de tiras, com volumes calculados, ombros modelados a fio e agulha e pequenas ligações entre as partes de um vestido foram feitas com grampos de cristal. As tiras rodeavam os corpos como órbitas em torno dos planetas. Capricho da criadora, que também talhou sobretudos e casacos volumosos em lã, vinil e couro. Na cartela de cores, tons concretos, como preto, marrom e branco.
Fernanda Yamamoto falou de arquitetura também e o fez com tecido dobrado e moldado sobre peças simples, de corte reto. Faixas orgânicas percorreram sua moda, feita às camadas, como uma selva de prédios. Entre os tecidos, cinza sobre preto e alegres intervenções de brocados violeta e vermelho.
A GIG, marca mineira especialista em malharia, deu tons concretistas à técnica de origem artesanal. A seleção de peças com volumes pontuais, ora nas mangas, ora nos quadris, revelou a precisão na execução de estampas e texturas impressionantes, que pediam olhares mais aproximados e um toque. Destaque para os casacos secos, de linhas retas e arabescos elaborados, para serem jogados sobre vestidos finos e aquecer o inverno nem tão rigoroso.
A carioca Oh Boy!, que está vindo para São Paulo, apresentou sua primeira coleção na SPFW inspirada nas formas e nas cores das borboletas. Com uma bossa setentista, reviu salopetes, saias-calças, cinturas altas, plissados, bordados e muito jeans pespontado.
A Têca, por sua vez, trouxe para a passarela uma moda medieval, muito rica em detalhes e construções. Suas cavaleiras se vestem com lenços, roupas leves e, para contrastar, casacos e pelerines em brocados suntuosos e veludos devorê, com muita aplicação de brilho.
Juliana Jabour resolveu comemorar os 10 anos de sua marca na passarela, com seus dois clássicos: o moletom e o neoprene. Os materiais foram modelados em peças contemporâneas, de shape descolado do corpo, com intervenção de ilhoses e estamparia digital.
Lino Villaventura, mais uma vez, apresentou uma coleção avessa a tendências e de exaltação à técnica da costura. As roupas, extremamente detalhadas, modificam as curvas e os volumes do corpo. Já Patricia Viera também é uma obcecada pelo material, só que, no seu caso, trata-se do couro. Suas peças demonstram as possibilidades no trato da materia-prima, que é recortada e manipulada como tecido.
E a Osklen fechou o penúltimo dia de desfiles inspirada em um casal globetrotter. O ponto de partida da coleção foi a mala de viagem dos dois, de onde saíram roupas práticas, utilitárias e versáteis. Alguns ícones da indumentária foram modificados ao estilo da marca, como, por exemplo, o trench coat, que apareceu curto, sem mangas, como poncho e até com mochila acoplada nas costas. Cores básicas na cartela: preto, branco e verde.
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