Moda e beleza
Depois de dormir sonhando com a übermodel Gisele Bündchen, que desfilou pela Colcci nesta 36ª edição da São Paulo Fashion Week, os fashionistas foram acordados por Reinaldo Lourenço, que abriu os desfiles do último dia, nesta sexta (1) com uma coleção inspirada no jeito francês de se vestir. Na passarela, uma moda elegante, com conjuntinhos pretos secos e incrementados por basques (uma camada sobre saias e calças para ressaltar a cintura). Ele reinventou também alguns clichês do luxo, como as estampas de bicho e o dourado, aplicados de jeito bem menos óbvio do que se vê por aí. Mas o destaque ficou por conta dos vestidos feitos com tiras de tecido aplicadas sobre tule e musseline, criando desenhos e um efeito óptico belíssimo. Entre as cores, preto, off-white, vermelho, pink e metalizados.
O dia também foi de estreia na SPFW. A Melissa fez seu primeiro desfile, com modelos de sapatos de plástico para mulheres de todos os estilos. Das tradicionais sandálias a scarpins e botas, a marca mostrou que a democracia da moda veio para ficar. As modelos vestiram looks preparados por um time de estilistas (Rober Dognani, Vitor Zerbinato, Yoon Hee Lee e as grifes Printing, L’Etage e Apartamento 03), que misturou referências e criou produções supercoloridas. Para embalar a apresentação, integrantes da Orquestra Voadora do Rio de Janeiro fizeram um show descontraído com hits da cena black brasileira dos anos 1970.
A irreverência foi a tônica do encerramento dos desfiles e marcou a apresentação da Amapô, que, ao som de modas de viola, fez um inverno bem ao sabor dos anos 1980 cujo material básico é o couro. Combinado ao jeans, claro. O couro vem bem rústico, aplicado sobre o tricô, sobre camisas e até em peças inteiras.
A Têca, da estilista Helô Rocha, por sua vez, tem apostas bem delicadas para o inverno. Vestidos longos e camisas esvoaçantes de seda, imprimem um estilo meio hippie-chic, meio gypsi, como nos anos 1970. Entre as cores, verde, preto e azul marinho e uma estamparia rica com referências da art noveau.
Alexandre Herchcovitch trouxe para a passarela sua coleção masculina, com coats pesados em lã e aplicações de couro, cartucheiras e botas marchadas ao som da banda Sepultura. Foi uma sequência de looks sóbrios, elegantes e talhados por uma alfaiataria primorosa, que deram um tom militar ao inverno. Boa parte deles ornamentada pelo jacquard em lã discreto com as icônicas caveiras. Uma sugestão andrógina ficou por conta das saias usadas sobrepostas às calças, estampa de bicho em trajes tradicionais do guarda-roupa masculino e a presença de algumas modelos mulheres na passarela – Ana Claudia Michels, Caroline Ribeiro e Geanine Marques.
*A jornalista viajou a convite do evento
Colunistas
Agenda
Animal


