Moda e beleza
Nem as presenças da top model Gisele Bündchen e do casal de atores Ashton Kutcher e Demi Moore no desfile da Colcci foram suficientes para roubar a cena dos looks que desfilaram pelas passarelas do terceiro dia do São Paulo Fashion Week (SPFW), realizado ontem, no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera.
Cinco grifes exibiram suas coleções de outono/inverno e o que se viu foi um leque de referências diversas, mas com um ponto em comum: a valorização das formas femininas, sem mostrar demais ou esconder de menos, e os tons escuros, com predominância do preto.
O terceiro dia teve início com o desfile da grife Iódice, no Shopping Iguatemi, zona sul da capital paulistana. Dominada pelo clima fetichista, a coleção contou com looks pretos em sua grande maioria, devidamente acompanhados de saltos agulha altíssimos, chapéus, luvas e botas de couro de comprimento longo. Inspirado na obra do fotógrafo sul-africano Sam Haskins, famoso pelas imagens de nus femininos, o estilista Valdemar Iodice criou looks marcados por recortes e curvas – algo já bem característico de sua marca.
Sempre em preto e tendo o couro como matéria-prima principal, os vestidos contavam com decotes generosos nas costas e detalhes de referência punk, como franjas leves e tachas. Chamaram atenção também os maxipulls de pele de coelho e os vestidos de jérsei e paetê bordado. Acompanhada do marido Alexandre Iodice (filho do dono da marca), a atriz e apresentadora Adriane Galisteu conferiu o desfile de perto e atraiu os flashes dos fotógrafos presentes no local.
De volta ao Ibirapuera, a estilista mineira Juliana Jabour deu sequência à maratona de desfiles com uma coleção inspirada no movimento grunge dos anos 90, mas sem desvalorizar as formas femininas. A estamparia de bichos marcou diversos looks, a começar pelo que abriu o desfile, exibido pela modelo e apresentadora Fernanda Lima, amiga de Juliana e fã incondicional da marca.
O peso do grunge veio contraposto a silhuetas estruturadas, representadas por grandes volumes e sobreposições fluidas e alongadas, como nos maxitricôs e camisetões. De clima sombrio, a paleta de cores variou entre preto, tons de cinza, verde militar e beterraba, com brilhos dourados nos confortáveis e longos vestidos de malha rib com lurex. Nos pés, um elemento comum à maioria dos desfiles vistos até o momento: saltos anabela em ankle boots e coturnos.
Formas retas e rígidas ancoraram o desfile da Cori. Inspiradas no trabalho do arquiteto norte-americano Frank Lloyd Wright, as estilistas Gisele Nasser e Andrea Ribeiro brincaram com princípios de construção nos looks, dos cortes assimétricos, às delicadas estampas quadriculadas. A alfaiataria ganhou interpretações femininas em vestidos e longas saias plissadas combinadas a ternos curtos. Quanto às cores, tons neutros, como preto, azul-marinho e cinza contrastavam com detalhes em vermelho, amarelo e azul.
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