Moda e beleza

De casa e data nova, SPFW sacode mercado da moda

Larissa Jedyn, enviada especial
29/10/2012 21:32
O objetivo é aumentar o intervalo entre o lançamento e a chegada das peças ao varejo, o que permitirá um melhor planejamento e maior competitividade ao setor. “A partir da mudança, a indústria da moda terá prazos mais alongados de produção e entrega. Os riscos, que até agora eram assumidos exclusivamente pelos criadores, serão compartilhados por toda a cadeia. As empresas poderão trabalhar com uma programação mais acertada e garantir uma entrega mais eficiente”, diz Paulo Borges, diretor criativo da SPFW. “É mais um passo em direção a uma inserção definitiva da moda brasileira no mercado global.”
A mudança, no entanto, esbarrou com a realização da Bienal, no Parque do Ibirapuera, o que fez o evento se mudar para o Parque Villa Lobos, que foi todo adaptado com tendas para o evento. A cenografia do espaço é assinada pelo multiartista Felipe Morozini.

E por falar em roupa
No primeiro dia de desfiles, a reafirmação de que as tendências não estão mais tão na moda. E não é de hoje. Não é mais o mercado quem dita o que vai se usar. São as ruas. E os estilistas vão estudando o comportamento dos consumidores, para saber do que eles gostam ou o que vai empolgá-los. Ronaldo Fraga, por exemplo, recorreu ao autor mineiro Paulo Marques de Oliveira, que em seu livro “Ô Fim do Cem, Fim…” tentou explicar e registrar os fundamentos do mundo por meio de escrita e desenhos. Seus escritos, que lembram os trabalhos de Arthur Bispo do Rosário e do Profeta Gentileza, viraram estamparia e bordados na arte de Fraga, também mineiro. Escritas desenhadas e desenhos grafados viram estamparia e bordado na coleção do estilista, que trabalhou com silhuetas secas, volumes pontuais e reorganização de formas (por meio da intervenção da costura). Destaque para os bordados e tecidos trabalhados.
A Osklen fez um desfile para poucos convidados, mantendo a vocação da roupa esportivo-chique. Entre as cores, preto, branco e vermelho. Pelos, seda, tricô marcam a coleção.
Fause Haten apresentou uma coleção rebuscada, com muito jogo de transparências e bordados, saias volumosas, com boás e tules.
O filme Os Pássaros, de Alfred Hitchcock, foi representado na passarela de Tufi Duek Por meio de uma coleção muito feminina, com foco na silhueta ajustada, cinturas marcadas, tecidos nobres e efeitos na modelagem que faziam a roupa ganhar asas e bicos dos pássaros. Tons sóbrios, como preto, marrom, verde.
A Triton veio embalada nos anos 1990, com suas formas grandalhonas, blazeres quadrados, saias retas com fendas. A alfaiataria foi a base da coleção, que contou com efeitos metalizados e texturas variadas.
Em um clima militar, a Ellus fez um inverno sóbrio, elegante, marcada por elementos retirados de uniformes, como palas, cintos, ombreiras, fivelas. Entre as cores, cinza, preto, verde escuro, azul.
O evento vai até a próxima quinta (1), no Parque Villa Lobos, em São Paulo.