Esqueça o que você aprendeu sobre moda de verão. Carmem Miranda ficou de lado e, com ela, as estampas “tropicalientes”, os decotões, o borogodó e os balangandãs. Nosso verão, segundo a 23.ª edição da São Paulo Fashion Week, vai ser mais sóbrio, mais chique, menos exuberante. Tecidos e cortes meia-estação predominam. Mas é bom ir separando alguns artefatos fluorescentes porque ninguém é de ferro. Assistimos a todos os 47 desfiles da semana de moda, separamos as tendências mais fortes de moda feminina e esmiuçamos tudo com a ajuda da consultora de imagem Andréa Oliveira. Quer encarar?
A cintura subiu de vez, depois de vários ensaios e de contrariar veentemente o gosto brasileiro pelo cós baixo. Valem tanto os extras de tecido nas calças, saias, shorts e bermudas, quanto as cinturinhas de vespa amarradas com cintos e faixas. Segundo Andréa Oliveira, o modelo veste melhor altas e magras, pois corta a silhueta ao meio. Esse efeito é minimizado nos vestidos e looks monocromáticos, mesmo quando a cintura for marcada com faixa ou cinto. E um conselho: guarde as “hot pants” (microshorts de cintura alta) para a saída da praia.
O smoking saiu do guarda-roupas masculino, foi desconstruído pelos estilistas e virou tendência feminina.
A casaca se transformou em frente-única estruturada, punhos e golas foram usados sobre tecido transparente, gravatas foram decompostas, tudo com muito recorte e pele à mostra. “A alfaiataria veio do inverno, mas mostrou que pode sim tornar o verão confortável e mais chique”, diz Andréa Oliveira. No repertório de calor, pantalonas, cores sóbrias, bermudas até o joelho, macaquinhos, pespontos aparentes e jeans escuro, sem lavagem.
Ronaldo Fraga
Ficou na dúvida? Vá de vestido. Eleito novamente como a peça da estação, o vestido foi um verdadeiro camaleão na passarela da SPFW: veio curtíssimo, beirando os joelhos e arrastando no chão, além dos formatos justo, largão, trapézio, drapeado, plissado, balonê e o popularíssimo “easy dress”, que você joga sobre o corpo e está pronta. Os decotes pularam para as costas, as alças ficaram mais largas e há espaço ainda pra os tomara-que-caia. Muito curtos e balonês só para quem está com o corpo em dia. Como no verão os tecidos são mais leves, modelos evasês e mais larguinhos têm bom caimento e vestem bem todas. Os de jérsei e longos podem ficar para a noite.
A tecnologia do esporte foi incorporada pela moda, que anda abusando dos tecidos inteligentes, emborrachados e impermeáveis, fivelas, elásticos para ajustes, zíperes, capuzes e bolsos. Peças criadas originalmente para quadras e pistas invadem as ruas, como as parkas (agora em versão sem mangas), moletons com capuz e calças cargo. A mistura disso tudo com alfaiataria, por exemplo, é bem-vinda, segundo Andréa Oliveira, que ressalta a camisa pólo feita de renda da Huis Clos, como exemplo.
larissa@gazetadopovo.com.br
Serviço: Andréa Oliveira (consultora de imagem), fone (41) 9221-5188.