Moda e beleza

Fora da mira solar

Michele Bravos, especial para a Gazeta do Povo – micheleb@gazetadopovo.com.br
28/11/2010 02:20
Entre a criançada, a publicitária Alessandra Rottschaefer, 29 anos, sempre era a “leitinho”, a “engessada”. A ela cabia receber os apelidos que remetiam a sua brancura, mistura das ascendências italiana e alemã. Quando ela percebeu que ir para o sol era sinônimo de ficar vermelha e ardida, comprometeu-se em se cuidar e assumiu o seu tom de pele natural. “Não gosto de ficar vermelha nem amarelada. Gosto de ser branquinha. Passo o filtro solar mais alto que tiver, normalmente 30 ou 50”, afirma.
Quando vai à praia, Alessan­dra fica debaixo do guarda-sol todo o tempo, dificilmente entra no mar e só pega sol por acidente. Caminhar na orla, só se for coberta de roupas e acompanhada dos óculos escuros que cobrem quase todo o rosto.
Segundo Alessandra, para fugitivos do sol como ela, roupas com tecnologia de proteção solar são uma opção interessante, apesar do alto preço. A marca brasileira UV Line tem roupas confeccionadas com tecidos especiais, capazes de filtrar mais de 98% dos raios solares. Em alguns tecidos, a trama é formada por fios à base de dióxido de titânio, composto utilizado pela indústria para conter a radiação solar. Já nas peças de algodão, aditivos no processo de tingimento dos tecidos garantem a proteção.
Da cor que eu quero
Para quem não dispensa a cor do verão por nada, as pílulas de caroteno são uma opção não agressiva. O caroteno é um pigmento que, quando ingerido, fica depositado nas camadas da pele, conferindo a ela uma coloração mais amarelada, que imita o bronzeado. A dermatologista Annia Lourenço lembra que o efeito depende de cada tom de pele: “Uma pele que normalmente fica bronzeada quando é exposta ao sol, ficará com uma cor dourada intensa ao ingerir a pílula. Já outro tipo de pele pode reagir diferente”.
Cuidar da pele é necessário para pessoas de todas as origens. Mas, quanto mais clara a pele, menos melanina, que, além de determinar a cor, é a substância responsável pela proteção da pele. Segundo Patrícia Chiminacio, dermatologista do Hospital Vitória, com a menor proteção, mais radiação UV incide sobre a pele, induzindo a produção de radicais livres que são moléculas que podem destruir as células sadias do corpo – por exemplo, o colágeno. Por isso, fala-se na diferença de envelhecimento entre pessoas negras e brancas.
Antioxidantes podem ser usados para combater os radicais livres. Eles são encontrados em alguns alimentos, como mamão, beterraba e cenoura e podem ser ingeridos em cápsulas. A dermatologista Annia é a favor das cápsulas como medida para proteger a pele: “As cápsulas antioxidantes eliminam o uso tópico do protetor solar, que quase sempre é mal utilizado pelas pessoas. Entretanto, as cápsulas precisam ser utilizadas com orientação de um especialista”. Ela também lembra que alguns protetores solares já estão sendo desenvolvidos com enzimas antioxidantes.
No entanto, o sol não é só vilão. Pelo contrário, ele é essencial para o bem-estar e qualidade de vida. Ao tomar sol, também se ativa a produção da vitamina D, que está relacionada à saúde dos ossos. Como o brasileiro tem o privilégio de viver em um país tropical, mesmo aqueles que optam por não tomar sol recebem, durante um passeio ou uma caminhada do ponto de ônibus para o trabalho, a quantidade de UV diária e necessária para uma vida saudável. A dermatologista Patricia Chi­minacio complementa: “Se vivêssemos em um país como a No­­ruega, seríamos obrigados a nos expor ao sol pelo menos por 15 minutos diariamente por uma questão de saúde”.
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