Gabriel García Márquez diz que “todo grande escritor está sempre escrevendo o mesmo livro”. Artista da forma, domador de materiais duros, observador do comportamento humano, o joalheiro carioca Antonio Bernardo, 63 anos, reflete um pouco desse pensamento em suas peças. Todas as suas joias, diz ele, são derivações de joias anteriores.
A nova coleção deste, que é dos maiores designers contemporâneos brasileiros, já está na unidade curitibana da Antonio Bernardo, no ParkShoppingBarigüi. São peças que impressionam. Não só pela beleza, mas pelo desenho, pelas engrenagens, pela arquitetura. “Gosto de mostrar coisas que acho que vão surpreender, propor uma experiência”, afirma o joalheiro, que a despeito de seus prêmios e sua ótima reputação, diz nunca ter tido a pretensão de ser chamado “designer”.
Autodidata, Bernardo é uma daquelas figuras sedutoras, de conversa fácil e articulada. No dedo anelar de uma das mãos – que operam com familiaridade as ferramentas da joalheria –, um anel feito de várias partes que se encaixam. Ele o tira, desmonta e mostra com uma ponta de orgulho o “pulo do gato”, que faz da peça um verdadeiro quebra-cabeças.
O outro acessório que carrega é quase imperceptível: uma mosca, em tamanho natural, na lapela do blazer. A ideia da peça surgiu durante um dia exaustivo de trabalho em sua oficina, quando ficou fascinado por uma mosca morta que se preservava intacta. Conhecedor das ferramentas, as quais foi apresentado ainda na infância, fez um acabamento no metal que dá o brilho ideal para representar as asas do inseto. “Não há ideia absurda que não possa ser boa.”
Quase todas as joias dele têm uma história. Não é por acaso que muitas delas têm nome – e, às vezes, sobrenome. As alianças Dany viraram febre entre suas clientes e nesta coleção ganham as versões Dany Color com pedrinhas de safira, rubi ou esmeralda. Dany é o nome de uma ex-namorada, bailarina, cheia de facetas – por isso, as primeiras eram Dany Star, Dany Concreta, Dany Balé… “Foi um exercício de fazer uma joia com o mínimo de ouro possível”, conta.
Serviço:
Colunistas
Agenda
Animal


