Moda e beleza
Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí… Esse é o homem criado para o próximo inverno por João Pimenta, que abriu os desfiles de terça-feira, na 34ª edição da São Paulo Fashion Week, que acontece em São Paulo, no Parque Villa Lobos, até a próxima quinta-feira.
Embalados por sambinhas antigos, cantados ao vivo por Filipe Catto acompanhado de banda, os elegantes malandros reinventados pelo estilista misturaram a indumentária tradicional – composta por ternos, calças e camisas bem cortados – a uma linguagem absolutamente contemporânea, marcada por debruns, pregas, recortes e modelagens inusitadas.
Na cartela de cores de Pimenta, tons terrosos, além do invernal preto. Entre os tecidos, linho rústico e veludo. A aposta, como sempre, é a alfaiataria para o público masculino, nesse que, aliás, foi um dos poucos desfiles dedicado aos homens na temporada.
O segundo desfile do dia foi da Uma por Raquel Davidowicz, que manteve sua linha conceitual. A proposta para o inverno 2013 da marca é de longas saias em tecido amassado, macacões, peças em couro, linhas muito simples e quase nenhuma ornamentação. Os looks monocromáticos, na maioria das vezes, vieram em preto, branco e tons terrosos, principalmente. Nos tricôs, alguma interferência do brilho do lurex.
Samuel Cirnansck, por sua vez, recriou na passarela uma Nefertiti chique, dada aos vestidos bordados, drapeados e com transparências pontuais. A cultura egípcia serviu de base aos vestidos de festa, muito elaborados, marcados no corpo e abertos na base. O segundo dia teve ainda os desfiles de Lino Villaventura e Colcci.
Lino Villaventura apresentou sua moda dramática, teatral, feita sobretudo de tecidos muito trabalhados, efeitos visuais (garantidos por transparências, nervuras, bordados, aplicações) e performance especial dos modelos, que destilaram e posaram seguindo a batida da trilha sonora, que lembrava um baião eletrônico.
A Colcci encerrou a noite com um desfile baseado nas duas principais tendências que vêm sendo trabalhadas nesta temporada: o militarismo e a silhueta sessentista. Ou seja, de um lado, elementos e cores de uniformes figuram junto das formas geométricas aplicadas nos anos 1960. Na passarela da marca, roupas fáceis de usar, cores sóbrias, como verde militar, preto e cinza, e tecidos como lã e jacquard de seda.
Primeiro dia
Na segunda-feira, na passarela da SPFW, o filme Os Pássaros, de Alfred Hitchcock, serviu de inspiração para Tufi Duek, que criou uma coleção muito feminina, com foco na silhueta ajustada, cinturas marcadas, tecidos nobres e efeitos na modelagem que faziam a roupa ganhar asas e bicos dos pássaros. Tons sóbrios, como preto, marrom, verde.
A Triton, por sua vez, veio embalada nos anos 1990, com suas formas grandalhonas, blazeres quadrados, saias retas com fendas. A alfaiataria foi a base da coleção, que contou com efeitos metalizados e texturas variadas.
Em um clima militar, a Ellus fez um inverno sóbrio, elegante, marcada por elementos retirados de uniformes, como palas, cintos, ombreiras, fivelas. Entre as cores, cinza, preto, verde escuro, azul.
*A jornalista viajou a convite do evento.
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