Moda e beleza

Moda que vai do chão batido ao futuro

Larissa Jedyn, de São Paulo
01/11/2013 13:15
Com uma coleção feita de couro, tricô em fios rústicos, tecidos delicados e estampados, Ronaldo recria e revalida a indumentária sertaneja, em uma cartela de cores que varia de acordo com a luz do sol — indo dos tons ocres e queimados das horas mais quentes, ao azul da noite. Fica difícil falar em tendência quando a moda se mistura à arte, mas ainda assim, acompanhou as calças cropped (curtas), silhueta levemente descolada do corpo, saias longas e tramas evidentes de pitadas de literatura, música e cultura popular. A propósito, o estilista vem se dedicando a um projeto para dar mais identidade aos produtos feitos em couro, em parceria com os curtumes da região, e divulga a arte em couro de Espedito Seleiro, que trabalha no material a face festiva da arte cearense.
Outra a trabalhar com couro foi a também mineira Patricia Motta. Na passarela, uma moda elegante feita com o material em diversos tratamentos: navalhado, bordado, metalizado e modelado como tecido. Entre as peças, vestidos justos, cinturas marcadas e saias godê.
Dos pés no chão, ao voo pelas órbitas futuristas. Foi essa a proposta de Pedro Lourenço, que abriu os desfiles no teatro da Faap, com um inverno sóbrio, de formas secas, retas, cujo curso só muda por causa das formas do corpo. O desfile foi a prova da excelência técnica que o jovem estilista vem conquistando em pouco tempo. Corte preciso, costura delicada e apuro na modelagem. Tudo arrematado por efeitos tecnológicos, como no material que se sobrepôs às peças de alfaiataria, semelhante a um metal líquido, brilhante.
Sua mãe, a estilista Gloria Coelho, manteve a linha seca já explorada pelo filho e por ela mesma em outras coleções. Matemática, geométrica e arquitetônica como sempre, ela ficou nas cores sóbrias para um inverno chique. Vez ou outra abriu janelas transparentes em suas peças alinhadas.
A estreante Pat Pat’s levou fashionistas ao hotel Unique, em São Paulo, para um desfile de inverno com muita perna à mostra, couro e várias formas e combinações bem urbanas.
Lino Villaventura, por sua vez, fez um desfile dramático e provocante, com modelos seduzindo a plateia e as câmeras e roupas bem ao estilo do criador: extremamente trabalhadas, bordadas e rebordadas, com patchwork de tecidos e muita tansparência. Diz ele, no material de imprensa, que gosta de imagens fortes e polêmicas. Tanto que colocou duas das modelos se beijando na passarela…
A Colcci trouxe para o evento a übermodel Gisele Bündchen, que volta a representar a marca. A top fez duas entradas, a primeira com um look cropped (short e blusa curtos) mais um casaco superutilitário de lã cinza e a segunda em um sensualíssimo tubo decotado. Nas duas mostrou, além da moda, o que faz dela uma das modelos mais importantes do mundo: completo domínio da passarela e uma simpatia contagiante. Entre as inspirações para o inverno da marca, o esporte, a alfaiataria e o moletom, que ganhou diversos usos e se combinou ao couro e à lã, em uma moda bem usual e adaptada às baixas temperaturas. Destaque para os agasalhos, como as jaquetas aço furadas para elas e as bombers revisitadas para eles.
A jornalista viajou a convite do evento.

Fotos do 4º dia da São Paulo Fashion Week