Moda e beleza

Moda urbana e versátil

Larissa Jedyn
17/11/2013 02:06
Animale
Tufi Duek
O inverno promete. Para as temperaturas baixas, sobretudos. Para os dias mais frescos, tricô. Renda para mostrar e couro para esconder. Dá também para misturar tudo isso e ir tirando conforme o sabor do vento. Ou do estilo que se quer fazer. A 36.ª edição da São Paulo Fashion Week, para o outono-inverno 2014, assumiu que o Brasil é feito de contrastes e, por isso mesmo, tentou aliá-los na moda da passarela. Deve ser resultado da inspiração que vem das ruas.
A cada temporada, mais se assimila do que se impõe. É a democracia fashion sendo exercida na prática. Os desfiles da semana paulistana, a mais importante da América Latina, não foram tão contundentes no que se diz respeito a tendências, mas serviram de inspiração para esse novo tempo em que se deve usar o que combina com o seu corpo, seu estilo e o clima que faz lá fora.
Artesanato
Pense em tudo que pode ser feito com as mãos. O artesanal vai para o inverno nos detalhes da renda aplicada como janela do vestido, como fez a Animale nos pulldresses. Ou nas tramas aparentes e tecidos rústicos modelados pela alfaiataria tradicional de João Pimenta. Só que a tendência vem revestida de contemporaneidade, com fios tecnológicos, como a ráfia tecida no vestido da Tufi Duek; com cores mais sóbrias, como o rendado da parceria entre Martha Medeiros e Alexandre Herchcovitch e combinações sofisticadas de couro e tricô, como na proposta de Ronaldo Fraga.
Casacos
Faz tempo que eles não vêm assim, enormes, para serem jogados sobre o corpo nos dias gelados. Podem ser certinhos, cortados sob medida, como é o caso do casaco militar da coleção masculina de Herchcovitch; ou descolados do corpo, subvertendo as formas, como nas criações de Vitorino Campos ou ainda a pelerine moderninha da Osklen. Pedro Lourenço relembrou a silhueta oitentista, com ombros arredondados. As jaquetas agigantadas da Colcci e da Cavalera, para eles e elas, vieram com inspiração esportiva e utilitárias. É só olhar para os bolsos da Ellus.
Couro
Uma segunda pele, para usar todos os dias. Informal e sofisticada. O couro foi uma das poucas unanimidades na passarela. Justo ele, que sempre foi a base do trabalho de Patrica Motta, que, desta vez, bordou e recortou o couro. O mineiro Ronaldo Fraga estampou o sertão sobre o material com tratamento mais rústico. Ele se prestou à alfaiataria da Amapô e à veia urbana e contemporânea da Ellus e da Animale, que o misturou às saias leves e curtinhas e também à lã.
Silhueta
Ah, essa cinturinha de vespa. Como é bom de ver. E de usar. O corpo fica bonito, feminino, naturalmente delineado. As marcas apostaram nisso, nem que seja pelo cintinho apertado acima dos quadris, como fez a Acquastudio e Reinaldo Lourenço, que propôs até basques (cestinhas) sobre as saias, para evidenciar a cintura. Ou no ajuste ao corpo como na noiva romântica de Samuel Cirnansck ou na modelagem da Osklen e de Alexandre Herchcovitch, que remontou em alfaiataria e costura fina as camisolas do século 18. A Têca, por sua vez, adotou um estilo mais setentinha, de vestidões blusê.
A jornalista viajou a convite do evento.

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