-Os egípcios se lavavam muitas vezes ao dia: pela manhã ao se levantar e antes e depois das principais refeições. Usavam jarros e bacias com água corrente fresca.
-Como os egípcios, os gregos de 800 a.C tinham mitos e deuses relacionados à água. A água fria era a mais indicada para o banho, considerada estimulante para o espírito guerreiro – as temperaturas quentes só podiam ser adotadas segundo Hipócrates, o pai da Medicina, sob o risco de amaciar o corpo e efeminar o temperamento. Aos poucos a sauna e a água quente tornaram-se rotina.
-Os romanos descobriram com os gregos o prazer de alternar banhos frios e quentes. Entrar em rios e lagos simbolizava saúde e vigor. Para os mais nobres, o banheiro deveria ser extravagante.
-Quando, no século 14, a peste bubônica fez milhões de vítimas, o pavor se alastrou e a primeira medida foi restringir o contato humano. Aconselhava-se a manter distância dos banhos públicos,
-No século 16, os banhos públicos foram proibidos, primeiro em Paris e depois em outras cidades da Europa. Eram associados com epidemias de sífilis e com gravidez de damas supostamente castas – elas teriam sido impregnadas pelo esperma perdido nas águas das piscinas! Um banho deixava os órgãos expostos a toda sorte de perigos e deveriam ser evitados.
-Novos rituais de limpeza foram adotados. Em vez de lavar, melhor esfregar a pele com pano. Água só para lavar as partes visíveis.
-Os banhos foram voltando aos poucos, primeiro na aristocracia, no reinado de Luís 15, no século 18, na França. Lavar partes do corpo e algumas imersões eram aceitáveis, mas a prática ainda era irregular e restrita à aristocracia. Em 1785, foi inaugurada uma piscina pública em Paris.
-Porém, para uma parcela da população mais religiosa e de menor nível cultural, a idéia de banho ainda gerava resistência moral (associavam o banho com um rito sensual feminino).
-O conceito de banheiro como conhecemos hoje estava na dependência do abastecimento de água o que, na França, só veio a acontecer em meados do século 20.
-No século 19 apareceram os sabões, conhecido como remédio contra micróbios e sujeira.
-Por volta de 1900, uma idéia extraordinária surgiu nos Estados Unidos: a de que banhos freqüentes, talvez diários, eram saudáveis.
-Já na Europa, mesmo com toda a campanha para quebrar os tabus sobre o banho, a regra era tomar um por semana, geralmente aos sábados. Somente depois da Segunda Guerra, quando a água começou a chegar nas casas, é que a situação começaria a mudar.
* * * * *
Fonte: Banho – Histórias e Rituais, de Renata Ashcar e Roberta Faria, Editora Larousse, 2008. R$ 49,90 / Passando a Limpo – O Banho: da Roma antiga até hoje, de Katherine Ashenburg, Editora Grifo, com patrocínio da Unilever. R$ 59.
Colunistas
Agenda
Animal


