Moda e beleza
Alexandre Herchcovitch, que iniciou os desfiles de quarta-feira, no Paço da Artes, fez moda de rua (casacos de capuz, doudonas, salopetes) só que inspirado na jardinagem. O resultado foi uma coleção contemporânea, utilitária, de muito xadrez, plástico, vestidos confortáveis e descolados do corpo, florais nervosos, mais concretistas que naturais. As flores do seu jardim eram de plástico, aplicadas sobre peças em lã e veludo.
A Ellus, por sua vez, estampou sua coleção com os modismos da cidade. Patches (brasões), jeans rústico, brilho, logotipos, tudo junto na roupa jovem, formatada pela linguagem da moda dos motociclistas, reforçada e volumosa – principalmente na parte de cima do corpo. A essência urbana, aliás, inspirou até as peças mais sofisticadas por meio de tecidos emborrachados, muito vinil, tweeds clássicos banhados por materiais sintéticos e até silicone texturado.
O mineiro Ronaldo Fraga levou para a passarela os gritos das cidades modificadas, concretadas. Sua natureza poética pintou o cinza urbano com o sangue derramado das histórias esquecidas. Ao som de piano, à meia luz, com as modelos pintadas de vermelho. Entre as roupas, modelagens mais certas no corpo, mangas esvoaçantes e estampas emblemáticas.
Vitorino Campos mergulhou na complexidade do filme A Liberdade é Azul para criar uma coleção elegante e baseada na alfaiataria, que, pela primeira vez, trouxe jeans como matéria prima. Preto e azul vieram formatados em peças sequinhas, de comprimento midi e aquecidas por casacos generosos de pelos.
A Lily Sarti veio mais elegante, pensando no universo do paisagista Burle Marx, propondo quase que um safári de luxo. Peças de modelagem seca contrastaram com casacos longos ou volumosos e pelerines, feitos com pelúcia, pelos mais longos e lã. Na cartela de cores, muito marrom, azul, preto e vermelho.
A Sacada fez um passeio cool pelas culturas dos povos andinos e aplicou cores e grafismos das cestarias em estampas de peças muito suaves, com abotoamento ou amarração lateral e tecidos leves. Para aquecer, maxi pulls superconfortáveis, que abraçam o corpo.
A Triton transformou a passarela em um campo de batalha da Guerra nas Estrelas. Os modelos desfilaram vestidos de armaduras modernas, tecnológicas e fashion. A graça reforça tanto a aplicação dos materiais high tech na roupa, quanto formatos que vêm sendo recorrentes nas coleções, como ombros destacados e arredondados, reforços nas costuras, o efeito de casaca (parte de trás mais longa) em saias, blusas e casacos, amarra coes e abotoamentos destacados.
O dia fechou com a volta da Iódice para a SPFW. Os looks sexy e sofisticados, que já são marcas do estilista, se misturaram a tricôs superartesanais, feitos por presos que participam de um projeto social em Juiz de Fora, comandados pela estilista Raquel Guimarães. O resultado é um contraste interessante de texturas e volumes.
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