Segundo ele, a moda foi o objeto de estudo para tentar entender o engessamento do comportamento do homem nos últimos tempos. “Se moda é comportamento, resolvi usá-la para analisar justamente o comportamento masculino. E você consegue perceber essa relação quando está diante de fotos e ilustrações de livros do século 19, que mostram homens muito sérios, com trajes sóbrios.
Segundo ele, a moda foi o objeto de estudo para tentar entender o engessamento do comportamento do homem nos últimos tempos. “Se moda é comportamento, resolvi usá-la para analisar justamente o comportamento masculino. E você consegue perceber essa relação quando está diante de fotos e ilustrações de livros do século 19, que mostram homens muito sérios, com trajes sóbrios.
O tempo trouxe alguma liberdade e os homens do século 20 já se tornaram diferentes. Para entender essa transformação, pesquisei os editoriais da revista Arena Home Plus, dedicada à moda masculina, do final do século 20 até os dias de hoje”, comenta ele. O papel de herói que os homens assumiram na história acabou moldando não só o seu comportamento, como também a sua vestimenta. “O período foi marcado por duas grandes guerras e o homem teve que defender sua família, seu território. O que não combinava com vaidade, espelho ou cuidado com as roupas.” Depois dos anos 60, com o fim das guerras, o homem chegou a prestar mais atenção a sua imagem. Mas a descoberta da aids voltou a endurecer o estilo –e qualquer manifestação mais descontraída nesse sentido acabou sendo considerada um comportamento gay.
No livro – resultado do mestrado em Comunicação e Semiótica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo –, o estilista traça o desmoronamento do mito do herói ao mesmo tempo em que narra a perda de status do terno, que virou indumentária padrão. “As máscaras foram caindo. Daí o herói desmascarado no título do livro”, diz. O homem contemporâneo – “que, diga-se de passagem, não mora necessariamente nos grandes centros nem tem uma faixa etária específica”, ressalta Mário – está começando a consumir informação de moda e tentando desvendar o seu próprio estilo dentro do que já conhece das roupas e do seu corpo. “O problema é que esse homem chega ao shopping e fica frustrado, porque tudo se parece, não há novidades. É aí que entra o papel do criador. É ele quem tem de ir na contramão do que é padrão e dar opções a este homem”, diz Mário, que é conhecido por fazer alfaiataria inovadora e de boa qualidade, com um trabalho interessante em estamparia. “É por aí que se começa a conquistar esse novo homem. Mexendo no que ele já conhece e oferecendo alguma coisa nova”, comenta. E você quer saber qual é o primeiro ponto de mudança do estilo masculino? “Ah, é a cor, sem dúvida. Os outros atributos vêm em seguida.”
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