Moda e beleza
“É uma coleção inspirada em todos os edifícios que ele construiu”, disse Campos à Agência Efe, que elegeu azul intenso, o verde, o branco e o amarelo-ouro, cores com que disse ter pintado os edifícios brancos do arquiteto, famoso por usar essa cor em suas obras.
“O que adoro em Calatrava é que seus edifícios são como um lenço, onde você pode pintar os espaços sempre bem estruturados e amplos, onde você se sente confortável, com linhas bem definidas. A maioria de seus edifícios é branca, e isso me encantou. O que fiz foi dar cor a todos esses elementos de suas estruturas”, disse.
Campos lembrou que conheceu o arquiteto e escultor valenciano – cuja obra pode ser vista em diferentes partes do mundo – há dois anos quando foi um dos cinco desenhistas que auxiliaram Calatrava na produção de um cenário para o 50º aniversário do balé da cidade de Nova York.
“Tive a honra de ter sido um dos estilistas que ele escolheu para trabalhar nas peças. É um artista completo, muito reservado, de grande sensibilidade e singeleza. Quando se conhece uma pessoa assim, é preciso tirar o chapéu”, afirmou o costureiro, um de vários designers que apresentam sua coleção fora do circuito oficial da NY Fashion Week.
O hondurenho, que ficou conhecido pela perfeição dos acabamentos de alfaiataria de suas coleções, ofício que herdou de seu pai, apresentou uma proposta casual, mas elegante e bem entalhada para homens, de confortáveis calças compridas e curtas, com bainha larga e suas respectivas jaquetas.
Jaquetas do tipo parca ou mais compactas, camisas, de manga longa ou até o cotovelo, suéteres, e todas as peças confeccionadas em algodão misturado com seda, com uma textura parecida com o linho.
“São só quatro cores, por assim dizer uma cidade, onde podem ser vistos um edifício azul, outro verde, um branco e um banhado pelo sol (amarelo-dourado), mas isso não significa que as peças não possam ser misturadas”, disse sobre sua proposta de vestir o homem de uma só cor, e seus sapatos combinando.
Campos, que emigrou para os Estados Unidos sozinho e de forma clandestina aos 15 anos, acrescentou que para a coleção criou uma padronagem de estrelas e pontos “que parte da ideia onde Calatrava constrói”, de um mundo onde o limite é o infinito.
“Quando vejo os edifícios de Calatrava, não os vejo com mistura de cores, portanto fui fiel a essa inspiração” apresentou sua proposta em só quatro cores, sustentou o desenhista, que em 2009 abriu uma loja em Tegucigalpa, em seu Honduras Honduras, e em 2011 na cidade de Nova York.
Campos é um dos vários latino-americanos que apresentaram suas propostas durante a Semana de Moda de Nova York, que vai até dia 13, na passarela oficial, como César Galindo, Carolina Herrera, Ángel Sánchez e Gabriela Perezutti, ou em outros espaços da cidade, como Oscar de la Renta, Ricardo Secco e Edwing D’Angelo, entre outros.
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