Eu comecei no Mercado Mundo Mix. O resultado acabou sendo tão bom, que deu um tempo, aluguei uma loja e passei a tocar o negócio. Fiz faculdade de moda, mas antes disso já estava trabalhando no setor têxtil. Uma coisa levou a outra e isso já tem 3 anos.
O universo rock é uma das coisas que mais gosto na vida. E a Laundry nasceu com essa característica mais musical que outra coisa. É para esse público – rocker – que eu crio.
A Laundry faz parte desse universo underground de São Paulo. Eu já sabia que roupa queria fazer e para que público. Faço roupas para meninas que gostam de rock. Sei que há toda uma visão estereotipada sobre isso e que muita gente acha que quem gosta de rock se veste de couro, tachinhas e tecidos rasgados. Na verdade, é como se a minha roupa fosse para bonecas, que compõem o visual como estão a fim. Usam blusa xadrez de lacinho, calça justa. Elas são variadas.
Acho bacana a mistura promovida pela moda. Tem meninas que vêm aqui com a mãe e é ela quem acaba levando um casaquinho. Na verdade essa composição de um trabalho para um público não é assim tão estrategicamente calculada. Têm meninas mais certinhas que vêm e gostam das roupas. Não tem como planejar isso. Um produto criado acaba tendo vários estilos embutidos e não há como dizer o que serve para um ou não serve para outro. Não há como saber.
Eu não misturo referências no meu trabalho. Acho que a marca tem que ter alma. É o que o meu público quer e é o que eu sei fazer.
A nova coleção, que eu apresentei na Casa de Criadores, em São Paulo, tem como tema Tim Burton e a estética dos anos 50. Conseqüentemente, ela tem muito de black, de gótico – que é o que ele gosta – numa modelagem bem anos 50, uma das minhas preferidas. É uma coisa meio meio gótica e meio contemporânea.
A coleção tem vestidos, saias, blusas, calças, complementos. O legal da Laundry é que toda semana tem coisas novas na loja. Crio algumas formas para a estação, defino as bases de modelagem e depois vou trabalhando padronagens, tecidos, estampas. E para não correr o risco de encontrar uma pessoa com uma peça igual a sua num lugar que você sempre vai, porque em São Paulo é assim, a cidade é enorme, mas as pessoas vão sempre aos mesmos lugares, faço pouquíssimas peças de cada vez.
Eu faço toda a parte de criação. Tenho uma assistente na criação e mais uma equipe de 15 pessoas terceirizadas para a produção das peças. Fora o pessoal das lojas. Hoje estamos com lojas na Galeria Ouro Fino, nos Jardins, e na Galeria do Rock, no Centro. Em Curitiba, as peças são vendidas na Ad Hoc, no Omar Shopping.
Temos um mercado bom em Curitiba, uma parceria legal com a loja. A cidade acaba tendo uma característica underground, uma cena rocker que possibilita essa conversa. Aliás, a Laundry tem uma comunidade do Orkut e tem muita gente aí de Curitiba que faz parte dela. As meninas daí conversam bastante conosco, vêm sempre a São Paulo e até compram por telefone.


