Quando o resultado do exame de HIV ficou pronto, Douglas Eduardo, 39 anos, nem desconfiava que aquele envelope viraria sua vida de cabeça para baixo. Ele tinha19 anos e estava no hospital para tratar uma infecção de garganta quando um médico lhe pediu o teste. Duas semanas depois, um acadêmico de Medicina lhe informou que o resultado era positivo. “Eu perguntei o que aquilo significava e ele disse que eu estava com aids. O que era errado, pois eu era só portador do vírus, não tinha desenvolvido a doença”, conta.
Mandado para casa sem orientação alguma além de um “aproveite a vida que lhe resta”, Douglas passou semanas aterrorizado. Tudo o que se sabia era o que as campanhas da época diziam, algo como: “Cuidado, a aids mata”. “Era a onda do preconceito. Antes as pessoas ficavam chocadas pelo resultado. Sem orientação, suporte ou tratamento, entravam em depressão, a imunidade caía e isso os levava à morte”, diz. Douglas levou um mês para ter coragem de contar à família, mas quando o fez, foi apoiado, e diz que isso o salvou. “Eu estava desesperado porque não sabia se podia contaminar meus pais por compartilhar talheres, usar o mesmo banheiro. Ficava olhando para eles muito aflito, sem saber quando seria meu último dia”, diz.
Com a companhia da mãe, Douglas foi até o Serviço de Saúde e lá passou a ter acompanhamento psicológico. Mas, apesar de ter recebido todas as informações sobre a doença e o tratamento, ainda faltava algo. “Comecei a ter curiosidade de conhecer outra pessoa, a única referência da aids era o Cazuza. Eu precisava encontrar pessoas que também estivessem passando por aquilo”, diz. Na época, eram 27 casos de soropositivos confirmados em Curitiba. O primeiro encontro, na sala do serviço social, reuniu quatro deles. “A cada ano foi aumentando o número de casos e, desde que fundamos a Instituição Grupo Amigos em 2001, centenas de pessoas já participaram dos encontros, muitos encaminhados por médicos”, afirma.
O foco do grupo, que se encontra toda semana, é a troca de experiências entre quem é portador e também quem conhece um deles ou quer saber mais sobre a doença. “Hoje, portadores do HIV levam uma vida normal, mesmo com o excesso de medicamentos necessários. As pessoas até chegam com a ideia de que estão condenadas. Mas olham para mim e pensam: ‘Se ele tem há 20 anos e está bem, eu posso ficar bem também’. A recompensa que eu tenho é justamente essa: poder ver a melhora física e emocional que alguém pode ter quando é amparado.”
Serviço
Grupo Amigos
Reuniões às quartas feiras, das 19 às 21 horas.
Rua Cap. João Zaleski , 635, Vila Lindóia. Fone (41) 3346-5651 e site www.grupoamigos.com.br.
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