Saúde e Bem-Estar

Bem-estar que vem do Oriente

Larissa Jedyn
19/08/2007 22:55
O chá verde era moeda de troca na China no tempo em que a Índia comercializava especiarias. Ganhou até uma historinha que não se sabe se é verdadeira sobre a sua “descoberta”: o imperador chinês Shen Nung, em 2.757 a.C., estava descansando embaixo de um pé de Camellia sinensis quando algumas folhas da planta caíram sobre uma xícara de água quente e o líquido exalou um cheiro bom. Estava inventado o chá verde, que virou tradição no Oriente e, em terras ocidentais, ganhou há poucas décadas fama de “salvador”.
É só dar uma olhada nos títulos estampados nas bancas de revista para imaginar os benefícios atribuídos a esse chá – de emagrecimento ao rejuvenescimento. Segundo o farmacêutico Cid Aimbiré Santos, professor titular de Farmacognosia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), boa parte dessas maravilhas deve ser atribuída a um composto chamado 3-O-galato de epigalocatequina, que tem ativos antibactericidas e antissépticos (estudos comprovaram sua ação na redução de placas dentárias), além de ser um antioxidante cem vezes mais potente que a vitamina C. O organismo produz antioxidantes para neutralizar os radicais livres que provocam, entre outras coisas, o envelhecimento. Mas o corpo não dá conta de combater esses inimigos sozinho, por isso, buscam-se estes ativos na natureza, através de alimentos, como verduras, e do chá verde, por exemplo. Este mesmo composto, de acordo com Cid, tem atividade antitumoral, que inibe a ativação de enzimas carcinogênicas.
O farmacêutico explica que o tão comentado efeito emagrecedor do chá verde se deve à ação hipolipemiante. “Estudos em órgãos isolados mostraram que os polifenóis em conjunto com as catequinas (substância presente no chá verde) formam complexos com as enzimas digestivas, diminuindo a absorção de lipídeos e açúcares. Também formam complexos com a enzima oximetil-transferase, que é responsável pela degradação da adrenalina. Não sendo degradada, a adrenalina aumenta sua quantidade circulante favorecendo a lipólise – quebra de gordura.” Ele explica que não há comprovação dessa ação na diminuição do colesterol, mas sabe-se que o chá reduz o risco de doenças coronarianas. “Mas o chá é só um coadjuvante de um processo inteiro que tem de contar com dieta alimentar e rotina de exercícios físicos”, comenta.
Arivair Kozak, um dos prorietários da Chá & Arte, loja especializada em ervas e chás naturais, acrescenta que o chá verde é um facilitador da digestão. “Sua ação é tão rápida que o seu consumo é indicado para uma hora depois das refeições.”
Dose certa
“Estudos comprovaram os efeitos benéficos do chá verde em pessoas que tomam por volta de dez xícaras por dia. As dosagens recomendadas são de até quatro xícaras diárias como preventivo e de cinco a dez xícaras por dia como tratamento medicinal, por prover quantidade adequada de polifenóis. A questão é saber quem é que consegue beber tanto chá”, pondera Cid. Em publicações leigas, a indicação de consumo é de duas a três xícaras (cerca de meio litro) por dia. Como o chá é rico em cafeína, a orientação é evitar o seu consumo à noite, principalmente por pessoas que tenham problemas para dormir.
A literatura não apresenta, segundo o professor, muitas restrições ao seu consumo. No entanto, objeções são feitas ao uso de chá verde por gestantes e mulheres que estejam amamentando. Também recomenda-se parcimônia a quem tenha acidez no estômago e esteja consumindo remédios.
larissa@gazetadopovo.com.br