Saúde e Bem-Estar

Calendário da saúde

Daniela Neves - danielan@gazetadopovo.com.br
04/01/2009 02:10
Se você não lembra qual foi a última vez que pisou em um consultório médico é porque já passou da hora de fixar um calendário de saúde na parede e se comprometer a cuidar mais de você neste ano. Segundo o clínico geral Fernando Matos, para manter uma boa saúde, o grande segredo é planejar os exames de rotina para o ano e evitar deixar consultas e exames para os últimos meses, quando as agendas médicas ficam lotadas e as as filas de espera são enormes. “Esta é a síndrome da segunda-feira. É aquela história de segunda-feira começo a fazer dieta, a cuidar da saúde e assim o ano passa”, diz.
Como provavelmente não está em seus planos fazer uma peregrinação nos consultórios de médicos de todas as especialidades, escolha pelo menos um de sua confiança – que pode ser um ginecologista ou clínico geral – para recomendar os exames a serem feitos e indicar, se necessário, um especialista. Conversamos com alguns profissionais da área de saúde que indicam, a seguir, a frequência ideal de exames e consultas, além de alguns sinais que precisam ser observados e receber acompanhamento médico.
Oftalmologista
Geralmente o primeiro exame de vista é feito entre 18 e 25 anos, quando normalmente as pessoas vão tirar carteira de motorista, ou ainda, no caso dos homens, no alistamento para o Serviço Militar. Para quem não apresentou problemas no sistema ocular, um exame até os 40 anos já é o suficiente, explica o oftalmologista Hamilton Moreira, presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.
Aos 40, 45 anos, os adultos atingem a fase da “vista cansada”, nome comum da presbiopia, que reduz a capacidade de focar a imagem de objetos. O uso excessivo de computador e muito tempo na direção de um carro podem antecipar o problema. Os principais sintomas são dor de cabeça de origem ocular, sonolência fora de hora, dificuldade para concentração e estresse. Nesta idade é recomendável consultar um oftalmologista uma vez por ano.
A partir dos 60 anos, aumenta a incidência de doenças como glaucoma, cataratas e diabetes de fundo do olho, que podem levar à cegueira. “São doenças que, quando diagnosticadas precocemente, têm tratamento”, diz Moreira.
Saúde Bucal
Em adultos, os principais problemas bucais têm origem na gengiva, na camada externa da raiz e nos ossos – as chamadas doenças periodontais. Mas quem já passou faz tempo da infância também está sujeito às cáries, que podem ser na superfície do dente como perto da raiz. De acordo com a dentista Michelle Christie Abboud, chefe da divisão de saúde bucal da Secretaria Estadual de Saúde, algumas lesões – como aftas persistentes, que não cicatrizam – precisam ser acompanhadas. O ideal é visitar um dentista pelo menos uma vez por ano, mas não deixe para depois se notar qualquer sangramento na boca, manchas, traumas e dores.
Coração
As doenças do coração são as principais causas de morte entre os homens, de acordo com o Ministério da Saúde. “Só que hoje não consideramos mais o gênero para avaliar grupos de risco. As mulheres, de alguns anos para cá, passaram a ter maior incidência de doenças cardiovasculares e estão se equiparando aos homens. Isso ocorre porque elas têm estado mais expostas aos fatores de risco, como jornadas triplas de trabalho, estresse e fumo”, diz o cardiologista Augusto Franco de Oliveira. É fundamental que as pessoas avaliem o histórico familiar para doenças cardíacas, além de hipertensão, diabetes e obesidade. Como a incidência de problemas cardíacos aumenta depois dos 40 anos, a partir desta idade é importante fazer com mais frequência os exames básicos de sangue, como colesterol, triglicerídios, glicose, além de um eletrocardiograma.
Check-up
A maioria das pessoas só começa a se preocupar com a saúde quando alguma coisa vai mal. Aí correm para fazer um check-up completo, que nem sempre ajuda muita coisa, já que a avaliação clínica geral tem o objetivo de prevenção e ou descoberta precoce dos problemas. O clínico Fernando Matos diz que, mais importante do que a sua coleção de exames, é a avaliação clínica, que serve para avaliar o histórico familiar e a predisposição para as doenças mais graves.
Esforço
Frequentar uma academia não é garantia de saúde. Se o esforço é grande demais e o alongamento não é bem feito, podem surgir lesões na coluna e nos joelhos, por exemplo. O clínico Fernando Matos diz que qualquer atividade física deve ser monitorada por um professor de Educação Física.
E antes de se colocar em movimento, é recomendável fazer uma avaliação cardiológica. “Muitos problemas no coração são silenciosos e, para que não aconteça um problema súbito, é bom fazer uma avaliação prévia que minimize os riscos”, diz o cardiologista Augusto Franco de Oliveira. Ele aproveita para dar um recado aos sedentários que resolvem tirar o atraso nas férias de verão: “Com calor e mais tempo livre, muitos veranistas se aventuram a correr e jogar bola, o que pode acabar em sérios problemas. Qualquer atividade, por mais simples que seja, precisa ser orientada”.
Serviço
Augusto Franco de Oliveira (cardiologista), Hospital do Coração, fone (41) 3021-3344.
Fernando Matos (clínico geral), fone (41) 3015-0500.
Hamilton Moreira (oftalmologista), Hospital Olhos do Paraná, fone 0800-6432010.
Michelle Christie Abboud, chefe da divisão de saúde bucal da SEED, site www.saude.pr.gov.br.