Saúde e Bem-Estar

Com a sutileza do toque

Érika Busani
01/08/2005 00:03
Desde muito novo, o pequeno Cauê, de 7 meses, tinha refluxo e não dormia bem. Cansados de “peregrinar” em médicos e dar tantos remédios ao filho, a pedagoga Ivana Santos Cardoso Dobruski e o fisioterapeuta Paulo Roberto optaram por uma técnica ainda pouco conhecida no Brasil, a osteopatia pediátrica. Após três sessões, o medicamento foi suspenso e, segundo os pais, o menino nunca mais teve um episódio, resultando em noites tranqüilas.
O fundamento da osteopatia pediátrica é a recuperação da mobilidade dos tecidos corporais, principalmente o movimento das articulações do crânio, consideradas imóveis pelos anatomistas até que o osteopata americano William G. Sutherland descobriu, nos anos 20, a expansão e contração do crânio e sua influência no funcionamento do cérebro. “Qualquer motivo que diminua a mobilidade do crânio vai interferir na saúde geral, já que todos os sistemas do organismo dependem do cérebro”, diz a fisioterapeuta Sanny Mendes Louro, especialista em osteopatia.
Para adaptar-se ao parto, o crânio de recém-nascidos tem grande flexibilidade e quando o bebê nasce podem ocorrer compressões. “O osso occiptal é o mais comumente comprimido. Através dele temos a passagem de três nervos importantes, que controlam fala, deglutição, sistema cardíaco, respiratório, digestivo e a musculatura do pescoço e ombros. Bebês com dificuldade de sucção, refluxo, cólicas excessivas e torcicolos podem estar sofrendo compressão craniana”, afirma a fisioterapeuta. Crianças nascidas de cesariana, conforme Sanny, não estão livres de problemas, já que o parto “facilitado” não estimula o movimento craniano normal, interferindo no bom funcionamento do organismo.
Tanto o diagnóstico quanto o tratamento osteopáticos são manuais, no caso das crianças, especialmente na região da cabeça. “O toque é extremamente suave e indolor”, garante a osteopata.