Saúde e Bem-Estar

Compulsão alimentar

Adriano Justino
03/10/2005 00:19
Obesidade em si não é transtorno alimentar. Mas há um grupo de obesos com Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP). “O paciente costuma apresentar ‘crises de comer’, acompanhadas de sensação de perda de controle da quantidade ingerida. Os alimentos são ingeridos mais rapidamente do que o usual e, após a crise, os pacientes referem mal-estar, repulsa, sentimento de culpa e baixa auto-estima”, descreve o psicólogo Niraldo de Oliveira Santos, especialista em transtornos alimentares do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Durante a crise, o compulsivo muitas vezes pára de comer apenas por cansaço, por estar empanturrado ou com mal-estar, conforme o psicólogo e psicoterapeuta Marco A. de Tommaso, membro da Associação Brasileira para Estudos da Obesidade. Ele relata que 2% da população geral come compulsivamente e 30% das pessoas que fazem dieta tornam-se compulsivas. “A compulsão é o grande vilão para as pessoas que querem emagrecer. Se estiver presente, deverá ser tratada prioritariamente, pois inviabiliza qualquer abordagem nutricional por mais adequada que seja”, alerta. Ansiedade, depressão e estresse estão freqüentemente ligados à compulsão alimentar.
Como reconhecer
Constantes “beliscos” ao longo do dia não significam compulsão alimentar. Os episódios estão associados a três ou mais dos seguintes critérios:
• Comer muito mais rápido que o normal.
• Comer até sentir-se incomodamente repleto.
• Ingerir grandes quantidades de alimentos quando não fisicamente faminto.
• Comer sozinho por sentir-se embaraçado pela quantidade de alimentos que consome.
• Sentir repulsa por si mesmo, depressão ou demasiada culpa após comer excessivamente.
• Acentuada angústia relativa à compulsão alimentar periódica.
• A compulsão periódica ocorre pelo menos dois dias por semana, durante seis meses.
É de pequenino…
Ensinar crianças a comer direito é tarefa dos pais e pode prevenir problemas no futuro. O maior erro dos pais é esquecer-se de que a criança copia seu comportamento. Oferecer comidas mais saudáveis e lembrar que a hora de comer não combina com castigos, prêmios e frases do tipo “só come a sobremesa se limpar o prato” são bons caminhos. Famílias neuróticas com a questão do corpo e hábitos alimentares restritivos também podem passar isso aos filhos.
Serviço:
Ambulim (Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Hospital das Clínicas de São Paulo): site www.ambulim.org.br, fone (11) 3069-6975 / Ambulatório de Saúde Mental do Hospital de Clínicas do Paraná: fone (41) 3360-7930.
Cepsic (Centro de Estudos em Psicologia da Saúde): oferece tratamento gratuito para anorexia, bulimia e compulsão alimentar, site www.cepsic.org.br e fone (11) 3064-3186 / Marco A. de Tommaso (psicólogo e psicoterapeuta), site www.tommaso.psc.br e fone (11) 3887-9738.