Saúde e Bem-Estar

Corpo e mente em movimento

Jennifer Koppe
28/08/2006 01:44
jenniferk@gazetadopovo.com.br
Muito se fala sobre os benefícios das atividades físicas para evitar doenças e viver melhor. Devem ser realizadas desde a infância, mas quando se chega à meia-idade, a importância da prática esportiva é ainda maior. Para prevenir osteoporose, osteoartrose, hipertensão arterial, diabetes, problemas cardíacos e obesidade; os exercícios de alongamento e fortalecimento, as caminhadas, a hidroginástica e a natação são o melhor remédio.
Estar em movimento também é fundamental para manter a saúde mental e neurológica. Não são apenas as atividades intelectuais que precisam fazer parte do cotidiano daqueles que querem combater a perda de memória ou complicações mais graves como o mal de Alzheimer, uma doença degenerativa, caracterizada pelo declínio irreversível das funções cerebrais. O sedentarismo é o pior inimigo deste problema, que atinge mais de 1,2 milhão de pessoas no Brasil.
“Os exercícios físicos são essenciais para manter um bom fluxo sangüíneo para o cérebro e ativar as sinapses cerebrais”, explica o geriatra e professor da Faculdade Evangélica do Paraná, Rubens de Fraga Junior. O especialista recomenda a prática esportiva pelo menos três vezes por semana, durante 30 minutos.
De acordo com a neurologista Ana Lucila Moreira Carsten, do Instituto de Neurologia do Hospital Ecoville, uma série de fatores contribuem para que a doença de Alzheimer se desenvolva, entre eles, hereditariedade, colesterol elevado e hipertensão arterial. Traumas cranianos, processos inflamatórios cerebrais e níveis de estresse elevados também podem estar relacionados ao seu aparecimento. “A prática de exercícios físicos e mentais não garante a prevenção do Alzheimer, já que a doença é multifatorial, mas reduz os riscos”, explica.
O neurologista Glauco Filellini, do Hopital Paulistano, cita uma pesquisa realizada pelo Instituto Karolinska, da Suécia, que comprovou que pessoas de meia-idade que se exercitam por meia hora, pelo menos duas vezes por semana, podem diminuir em até 60% os riscos de desenvolver a doença de Alzheimer. Foram analisadas cerca de 1,5 mil pessoas – entre 65 e 79 anos – durante 15 anos. Aqueles que desenvolveram a doença faziam parte do grupo sedentário. Estudos empreendidos pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, confirmam esses dados.
O médico também lembra que indivíduos entre 62 e 70 anos que continuam a trabalhar permanecem com circulação sangüínea adequada e bastante superior à dos aposentados inativos. “Ainda não há cura para essa doença, que priva o indivíduo de sua memória e habilidade mental, mas está mais do que comprovada a relação entre atividade física e demência na terceira e quarta idades”, afirma.