Saúde e Bem-Estar

Doce sabor, amargos efeitos

Érika Busani
30/07/2007 00:34
Quando se pensa nos malefícios que o açúcar comum traz à saúde, a primeira doença que vem à cabeça é a cárie. Talvez porque essa relação esteja comprovada pela Ciência há tempos. Mas outros efeitos do excesso de consumo nem sempre são lembrados.
O mais óbvio deles é a obesidade. Mas também tem a hipertensão arterial, aumento do nível de triglicerídeos e glicose no sangue – podendo levar à diabete –, alterações da flora intestinal (sendo mais comum a obstipação) e fadiga.
Pode causar estranheza associar cansaço à ingestão de um tempero conhecido por fornecer energia. “A sacarose altera o nível de serotonina – neurotransmissor que atua no humor e ansiedade. Passado o efeito, a sensação é de fadiga ou até falta de açúcar”, explica a nutricionista Magda Rosa Ramos Quadros, professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR.
Isso leva à vontade de comer mais doce – muitas vezes reforçada pelas boas lembranças da infância, quando um docinho resolvia qualquer machucado físico ou emocional. Está estabelecido o ciclo vicioso. Pior para as mulheres. “Elas sentem mais necessidade de doce porque apresentam queda maior de serotonina, que é muito suscetível ao estresse e aos hormônios femininos”, explica a nutricionista Eda Maria Arruda Scur, coordenadora do curso de Nutrição do UnicenP.
O açúcar é o que os nutricionistas chamam de “caloria vazia”, ou seja, não tem nenhum nutriente associado às muitas calorias que fornece e acaba substituindo alimentos com valor nutricional importante.
Na verdade, a ingestão de açúcar não seria necessária – e isso vale também para os magros –, mas dificilmente se consegue cortá-lo totalmente. “O ideal para tudo é a moderação. Recomendo aos meus pacientes que diminuam o consumo aos poucos e deixem para comer açúcar nas preparações, como bolos”, diz Eda, que prefere não definir uma quantidade ideal de ingestão. Já para Magda, o máximo seriam duas a três porções de doce por semana.
Naturais
Mel, açúcar mascavo e melado são formas mais saudáveis de adoçar. O melado e o mascavo são ricos em minerais e o mel auxilia a função intestinal – mas não deve ser consumido por crianças menores de dois anos. Em termos de calorias, esses produtos se equivalem.
Adoçantes
Trocar o açúcar por adoçante artificial é quase automático para quem quer emagrecer. Mas como ainda não há comprovação científica de que males eles podem trazer à saúde, a recomendação é pela moderação. “Overdose de adoçante também não é saudável. E, além do que se adiciona ao café e ao chá, é preciso lembrar que produtos diet e light também contêm adoçantes”, diz a nutricionista Eda Maria Arruda Scur.
O estudo que relacionou o ciclamato e a sacarina ao câncer de bexiga foi questionado. Outros trabalhos que indicaram a influência do aspartame sobre esclerose múltipla, fibromialgia ou mal de Alzheimer também não tiveram comprovação. “Não adianta sair do açúcar porque é vilão e ir para outro que a gente não sabe ainda o que pode causar. Tanto é que os adoçantes artificiais não são indicados para gestantes e crianças.” A stévia é o único adoçante natural, mas enfrenta resistência por causa do sabor.
Serviço: nutricionistas Eda Maria Arruda Scur , fone (41) 3336-2218, e Magda Rosa Ramos Quadros, fone (41) 3342-0301.
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