Saúde e Bem-Estar

Estranho mas eficaz

Adriano Justino
09/10/2005 18:06
O empresário Emerson Aparecido de Oliveira, 34 anos, tinha tanto sono durante o dia que chegava a dormir em pé. Depois de bater o carro por causa disso e gastar R$ 7 mil no conserto, decidiu investigar o que estava acontecendo.
“Fiz uma polissonografia e o médico descobriu que eu tinha 119 paradas cardíacas por hora. Eu deitava, mas não tinha qualidade de sono, nunca chegava a relaxar completamente por causa do ronco e da apnéia, causados principalmente pelo meu excesso de peso. Se continuasse assim, poderia ter um derrame ou uma parada cardíaca.”
Diagnosticado o distúrbio, os médicos lhe prescreveram o uso do CPAP, aparelho que contribui para a desobstrução da passagem do ar. “É como uma máscara, quase igual à da inalação, com a função de abrir as vias respiratórias. Ligo na tomada, coloco antes de dormir e ele funciona como um compressor de ar, impedindo a parada respiratória. Mas foi difícil conseguir o aparelho, que custa entre dois a três mil reais”, conta.
A adaptação foi rápida. “Para mim era questão de sobrevivência. Como fazia muito tempo que eu não dormia direito, aquela noite foi uma maravilha, sonhei e acordei bem disposto no dia seguinte. Minha produtividade aumentou, o humor melhorou, fiquei mais paciente com a minha família. O aparelho não incomoda em nada, apesar de me obrigar a dormir de barriga para cima.”
A única dificuldade, afirma Emerson, é trocar as peças. “A manutenção é feita apenas em São Paulo. Para mim, isso é fruto da falta de informação, poucas pessoas conhecem esse recurso. Eu mesmo poderia ter melhorado a minha qualidade de vida antes se soubesse da existência do CPAP. Quanto mais pessoas puderem usar, mais ele ficará popular e, como em tudo na economia, será de mais fácil acesso.”