Saúde e Bem-Estar
O que é
O tique nervoso é um espasmo muscular, sempre de fundo neurológico, que acontece de forma espontânea e involuntária. Começa a se manifestar na infância, a partir dos 2 anos de idade, mas é mais comum entre os 7 e 10 anos.
Os mais freqüentes
Os tiques podem ser motores ou vocais. Entre os motores, os mais comuns são piscar os olhos, encolher os ombros, fazer caretas, repuxar a cabeça e estalar os dedos.
Os vocais podem ser grunhir, estalar a língua, repetir palavras ou sílabas, bufar, pigarrear, fungar, falar palavrões fora de contexto, entre outros.
Causas
Acredita-se que a causa seja genética, mas ainda não foi possível identificar o gene que carrega e que transmite o transtorno para outras gerações.
Já se pensou que o tique tivesse origem psicológica, mas hoje se sabe que fatores como estresse desencadeiam e/ou agravam os tiques. Isso porque, em momentos de tensão, o tique provoca a sensação de alívio.
Síndrome de Tourette
É uma manifestação mais complexa do distúrbio, em que a pessoa sofre de múltiplos tiques motores e vocais. Os tiques também costumam ser mais intensos, os movimentos são mais largos e os sons emitidos são mais altos.
Em muitos casos, os tiques, embora crônicos, são discretos e quase imperceptíveis. Já a síndrome de Tourette atinge uma área cerebral maior e altera a forma de viver do indivíduo. Os movimentos são tão bruscos que podem até causar quedas, além de muito constrangimento. Fora isso, crianças com a síndrome apresentam déficit de aprendizagem causada pela alteração neurológica.
Como identificá-los
Quase todos nós temos gestos e posturas que traduzem o nosso estado de espírito. Muitas pessoas, quando estão preocupadas ou ansiosas, levantam as sobrancelhas ou coçam a testa. Outros, se encolhem quando estão envergonhadas. Algumas crianças também desenvolvem certas manias que desaparecem com os anos.
Esses hábitos, porém, não podem ser confundidos com os tiques.
Os tiques são abruptos, incontroláveis e, pior, podem evoluir para uma condição mais grave com o passar do tempo (os movimentos tendem a se tornar mais intensos, mais freqüentes e outros tiques podem aparecer repentinamente).
Relação entre tique e TOC
O tique também não deve ser confundido com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Quem, por exemplo, lava as mãos dezenas de vezes por dia, puxa os cabelos ou só anda em linha reta, não consegue controlar o ímpeto, mas tem consciência do que está fazendo, pensa antes de agir, ao contrário de quem tem o tique.
Mas existe uma relação entre o transtorno obsessivo-compulsivo e a síndrome de Tourette. Cerca de 70% das pessoas que apresentam a doença tem TOC ou algum familiar com TOC. “Essa relação ainda não foi mapeada, mas não acreditamos no acaso”, explica Maria Helena.
Quem sofre de transtorno de déficit de atenção também pode apresentar tiques nervosos. “Antigamente, pensava-se que o tique era um sintoma do transtorno, hoje já sabemos que são doenças diferentes, mas estão relacionadas.”
Tratamento
Embora não exista cura para o tique nervoso, o tratamento pode amenizar a manifestação da doença. Os medicamentos antipsicóticos em dose baixa e a terapia cognitiva-comportamental ajudam o paciente a lidar com o estresse que agrava o problema. Ao saber como reagir diante de situações difíceis, é comum que a freqüência e a intensidade dos tiques diminua consideravelmente.
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