Saúde e Bem-Estar

“Ninguém é tão magro como eles querem”

Adriano Justino
03/10/2005 00:14
Depressiva desde a infância, a vendedora Gisele Adeline Haas, 23 anos, começou a engordar na adolescência. Com outros casos de depressão e obesidade na família, ela viu-se desesperada para emagrecer, fazendo dietas e tomando fórmulas até parar de comer. A anorexia começou há cerca de seis anos e perdura. “A sociedade cobra que a gente seja magrinho, sarado. A cobrança é tanta que acaba levando a gente a ficar doente. Ninguém é tão magro como eles querem”, diz. Gisele conta que sente fome “como todo mundo”. Mas faz qualquer coisa para não pensar em comida. O horror de engordar é tanto que chega a afirmar: “Quanto mais fome sinto, menos como”.
Na primeira gravidez, chegou a emagrecer. Na segunda, de gêmeos, engordou apenas 8 quilos, à base de frutas e gelatina. “Morria de medo de ficar gorda e feia. Tive que me tratar de anemia profunda.” Os anos de fome trouxeram conseqüências: três pneumonias, anemia, infecções constantes e a impossibilidade de comer algo mais pesado. “Meu fígado não agüenta. Passo mal.”
Gisele diz que “de vez em quando” come alguma coisa, principalmente para agradar à mãe, que telefona diariamente para saber se a filha almoçou. O ritual da pesagem – mantém uma balança em seu banheiro – é diário. “Se engordo um quilo, entro em desespero, fico três dias sem comer.”
Há seis meses, Gisele conta que enfrentou seu pior momento. “Mesmo muito magra, me via gorda, ficava desesperada. Minha mãe dizia que eu estava esquelética. Fui fazer massagem para tirar a gordura e a massagista se recusou, dizendo que não tinha o que tirar. É um sofrimento muito grande, é triste você viver isso.”