Saúde e Bem-Estar

O falso glamour do cigarro

Jennifer Koppe
13/08/2007 00:20


Rita Hayworth como Gilda na clássica cena da cigarrilha
Depois de um período em que era politicamente correto não fumar, o cigarro parece ter voltado à moda. De acordo com estudo realizado pela Escola Harvard, nos Estados Unidos, cenas com fumantes têm aparecido em mais filmes do que em qualquer época desde os anos 50, quando musas como Greta Garbo e Rita Hayworth faziam sucesso com cigarrilhas entre os dedos. Apesar do seu retorno à telona, o cigarro continua sendo um dos maiores vilões da saúde, especialmente para as mulheres
Fumar é maisperigoso para as mulheres?
O clínico José Luiz Andrade Neto, professor da Universidade Federal do Paraná e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, diz que tanto homens quanto mulheres fumantes podem ser afetados por doenças como o câncer, infecções pulmonares, espasmos brônquicos, complicações coronárias, acidentes vasculares e infertilidade. As mulheres têm ainda aumentados os riscos de desenvolver câncer de mama e de colo do útero. O fim do ciclo reprodutivo (menopausa) deixa o organismo feminino mais suscetível a doenças como osteoporose, infartos e derrames, pois o estrógeno deixa de ser produzido. Calcula-se que o tabagismo seja responsável por 40% dos óbitos nas mulheres com menos de 65 anos e por 10% das mortes por doença coronariana nas com mais de 65 anos de idade.
Dupla explosiva
Fumantes que usam anticoncepcionais ou que fazem tratamento de reposição hormonal têm dez vezes mais chances de ter enfarte, embolia pulmonar, tromboflebite e derrame cerebral. O problema acontece porque ocorre uma constrição dos vasos, que diminui a circulação sangüínea.
Cigarro e gravidez
Fumar durante a gravidez pode afetar gravemente tanto a mãe quanto a criança. Durante a gestação, a mulher corre o risco de abortar ou ter parto prematuro. Após o parto, aumentam os riscos de trombose. Filhos de mães fumantes geralmente nascem com peso abaixo da média e estão mais suscetíveis a doenças. Em muitos casos, podem nascer com algum defeito congênito. De acordo com um estudo realizado no Instituto Karolinska, em Estocolmo (Suécia), mulheres que fumam durante a gestação têm mais chances de ter filhos autistas.
Fumar pouco também faz mal?
Mesmo as mulheres que fumam três ou quatro cigarros por dia estão mais vulneráveis a doenças cardíacas e pulmonares. Por outro lado, abandonar de vez o cigarro pode fazer maravilhas ao organismo em pouco tempo. De acordo com o cardiologista Arnaldo Stier, do Hospital Ecoville, parar de fumar durante 20 minutos já faz com que a freqüência cardíaca volte ao normal. Parar de fumar por um ano diminui em 50% o risco de sofrer um enfarte.
Fumar emagrece?
Sim, mas da pior forma possível. A fumaça que fica retida nos pulmões contribui para a aceleração do metabolismo, pois as células precisam fazer um grande esforço para eliminar as toxinas do organismo. Quase todas as mulheres que largam o cigarro ganham alguns quilos. A nicotina inibe o apetite e dá a sensação de saciedade ao cérebro e é comum compensar a falta de cigarro com a ingestão de guloseimas. Mas é possível controlar o aumento de peso com um estilo de vida saudável, uma dieta balanceada e a prática de exercícios físicos.
Fumar envelhece?
A dermatologista Maria Helena Amorim afirma que mulheres que fumam normalmente apresentam uma aparência pálida, pois a nicotina contrai os vasos da pele e diminui o fluxo sangüíneo. A pele fica mais ressecada e fina e sua temperatura diminui.
O cigarro degrada as fibras elásticas e colágenas que dão sustentação à pele, que fica com um aparência fosca, amarelada e bastante enrugada. Além disso, o movimento de sucção que se faz na hora de fumar aumenta as rugas ao redor da boca. O cigarro também diminui a capacidade de regeneração dos tecidos, dificultando a cicatrização.