Saúde e Bem-Estar

Reencontre o sono perdido

Bruna Bill, brunag@gazetadopovo.com.br
02/10/2011 03:04
Durante pelo menos um terço de toda a vida, homens e mulheres estarão descansando e dormindo. Ou pelo menos este seria o ideal. Mas parece que o ritual de dormir durante a noite está cada vez mais distante.
É importante esclarecer, no entanto, que a qualidade do sono não está ligada diretamente à quantidade de horas que se passa dormindo.
Para algumas pessoas, bastam apenas 5 horas de sono diárias para estarem descansadas. Já os mais dorminhocos podem precisar de até 10 horas dormindo para se sentirem bem. “Uma boa noite de sono permite renovar os neurônios e fixar os aprendizados feitos du­­rante o dia. Quem dorme bem se sente descansado e com muita disposição”, explica Egídio Romanelli, neuropsicólogo e professor do curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Já quem sofre de insônia, seja apenas uma noite ou de maneira regular, além de ficar sonolento durante o dia, tem outros problemas que afetam seu dia a dia, como ficar cansado no trabalho, não aproveitar o lazer, além de outros aspectos físicos e emocionais.
“A qualidade do sono interfere diretamente na vida da pessoa, na sua disposição, no humor, na memória, na concentração, na produtividade e também no sistema imunológico. Quem dorme pouco fica mais propenso a viroses, infecções e também diabetes e doenças cardía­­cas”, explica a especialista em neurofisiologia clínica e medicina do sono Olga Judith Hernandez Fustes.
Causas e consequências
Mas não existe apenas um tipo de insônia. Ela é um distúrbio que pode ser classificado de acordo com o momento e a duração das crises. A insônia inicial é aquela em que a pessoa deita na cama, mas não consegue dormir. A insônia de manutenção, por sua vez, é o famoso sono picado em que a pessoa acorda várias vezes durante a noite. Ainda há a insônia terminal, que faz com que a pessoa acorde muito cedo e não consiga mais dormir.
Alguns fatores isolados podem levar a apenas uma noite maldormida, a chamada insônia transitória. Se o problema persistir durante alguns dias passa a ser agudo, e se a dificuldade para ter uma boa noite de sono durar mais de quatro semanas, trata-se de insônia crônica.
“Já nas primeiras dificuldades durante o sono é preciso fazer uma reflexão sobre seus hábitos antes de dormir e suas preocupações e ansiedades. Quem identifica esses problemas e faz um primeiro diagnóstico é o próprio paciente”, afirma Elyéia Hannuch, médica neurologista e presidente da Asso­­ciação Paranaense de Sono.
Entretanto, isso nem sempre acontece, já que muitas pessoas que sofrem com as noites em claro encaram a questão como algo costumeiro e normal. Pessoas que sofrem de insônia crônica precisam de acompanhamento médico e tratamento. A longo prazo, os problemas podem se agravar.
“Estudos mostram que o indivíduo privado de sono sofre um aumento do hormônio cortisol, e, consequentemente, o risco de ter hipertensão e doenças cardiovasculares”, alerta Elyéia Hannuch. Pela baixa concentração de serotonina, outros problemas como déficit de atenção, dificuldade de concentração e perda de memória também podem aparecer nos insones.
De acordo com o especialista em Medicina do Sono e diretor de Centro de Distúrbios do Sono de Curitiba, Attílio Melluso Filho, as principais causas deste problema estão relacionadas a três fatores: emocionais, sociais ou or­­gânicos.
A maioria dos casos se encaixa no primeiro grupo, onde entram os problemas de ansiedade, depressão e estresse. “Já os fatores sociais são alterações externas, excesso de ruídos externos, temperatura do quarto e maus hábitos antes da hora de deitar”, afirma Attílio.
Os primeiros cuidados na hora de dormir devem ser com relação aos fatores emocionais e do ambiente em que se dorme. “Se a insônia persistir, é fundamental procurar um médico especializado para realizar exames laboratoriais e também a polissonografia para então detectar possíveis causas orgânicas para o problema, como outros distúrbios e disfunções físicas”, indica o especialista.
Na maioria das vezes é necessário um tratamento multidisciplinar com uso de medicação e acompanhamento de psicólogos e neurologistas.
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Interatividade:
Como você lida com a insônia? Ela é um problema que atrapalha o seu desempenho no dia a dia?
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