Saúde e Bem-Estar
Para o médico ortopedista e traumatologista Márcio Hiroaki Kume, do Hospital Santa Cruz, a prevalência maior de neuroma de Morton em mulheres sugere que a lesão seja mesmo desencadeada pelo uso do salto alto, pois ele provoca uma pressão maior nos metatarsos e consequente compressão dos nervos. “Saltos com solado de madeira são ainda piores, porque não absorvem o impacto nem oferecem a flexibilidade necessária para se caminhar com segurança”, afirma. É sempre bom lembrar às adeptas do scarpin que o clássico modelo de bico fino facilita o desenvolvimento de joanetes ao comprimir o dedão, desviando-o sobre os outros dedos. Já o salto agulha, que voltou à moda, pode causar torções de tornozelos e quedas, por ser extremamente instável.
Para o fisioterapeuta e fundador do Instituto do Tratamento da Coluna Vertebral, Helder Montenegro, o salto nas alturas ainda pode acarretar problemas na coluna vertebral, como a hérnia de disco. “Ele é um veneno para a coluna feminina, porque provoca mudanças na angulação do cérvix do fêmur, que tende a pressionar a cartilagem do acetábulo e, com o tempo, desgastá-la, causando deformidades, descontrole postural e mudanças na marcha”, orienta.
Até quatro centímetros
Antes de entrar em desespero e se desfazer da sua coleção de sapatos, saiba que saltos com até dois centímetros são ideais para uma boa marcha e melhor equilíbrio, e os com quatro centímetros são adequados para mulheres com pés cavos (com maior curvatura plantar). Já os acima de seis centímetros, na avaliação do médico Márcio Kume, são extremamente prejudiciais, por causar um peso de 75% somente na parte frontal dos pés. Dá para imaginar o que ele diria sobre os modelos extravagantes do estilista Alexander McQueen, com nada menos do que 25 centímetros acima do chão.
Apesar de todos os cuidados, Selma sabe que não curou definitivamente o neuroma de Morton, apenas estabilizou a dor. “O tratamento é paliativo, para curar eu teria que fazer uma cirurgia, mas não quis porque havia um risco muito grande de eu perder toda a sensibilidade de três dedos dos pés.” Depois de dizer adeus aos pares de salto alto, Selma se vê às voltas com um problemão: o que calçar no casamento de uma das filhas, daqui a alguns meses?
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Cutuca daqui, pinta dali
Quem foi que inventou que as mulheres deveriam retirar a cutícula? De acordo com a dermatologista Annia Cordeiro Lourenço, as cutículas são a proteção de nossas unhas e, sem elas, ficamos mais suscetíveis a infecções bacterianas e micoses provenientes de fungos. Apesar de menos frequente, o risco de contrair hepatite também existe, caso o sangue de uma paciente entre em contato com o de outra, pelo alicate. Outro problema levantado pela dermatologista é quanto à hidratação. “A unha também é um tipo de pele, mais dura, e precisa estar sempre hidratada. O uso frequente do esmalte cria uma impermeabilização, causando ressecamentos que se manifestam em forma de manchas brancas. Muitas manicures costumam confundi-las com micoses, mas, na verdade, são sinais de falta de hidratação.” Além de usar cremes próprios para esta região do corpo, Annia Lourenço recomenda que as mulheres façam pequenos intervalos de uma ou duas semanas antes de esmaltar as unhas novamente, em especial as que sofrem de hipotireoidismo, com maior propensão a ter unhas ressecadas.
Toalhas
Ter seu próprio kit de manicure, com alicate, lixa, palito de madeira e espátula não é suficiente para afastar das mulheres o risco de desenvolver fungos e micoses no salão de beleza. Para Annia Lourenço, é fundamental trazer ao salão sua própria toalha. “A maioria dos salões não troca a toalha entre uma cliente e outra, e estas costumam ficar úmidas, o que favorece a proliferação de bactérias”, diz. Ela também reforça a importância de secar muito bem a região entre os dedos dos pés, evitando assim infecções como o impetigo e dermatites nas dobras. Às mulheres que sofrem com unhas encravadas, ela sugere o uso de órteses, tipo de plástico bem fino colado sobre as unhas, que funciona como uma alavanca, forçando a unha em sentido contrário e corrigindo a curvatura. E atenção: quando elas encravam, nada de cutucar. Isso só piora a situação e, na maioria das vezes, pode render infecções bastante doloridas.
Pelos e peles
O incômodo dos puxões na sala de depilação não é nada se comparado aos problemas de saúde a que as mulheres ficam expostas. Segundo a dermatologista Maria Angélica Muricy, o pelo de quem se depila com frequência começa a enfraquecer, dificultando sua saída e fazendo com que ele cresça internamente. São as chamadas foliculites ou pseudofoliculites, mais conhecidas como pelo encravado. “Às vezes são tão graves que precisam ser tratados com antibióticos ou drenados em centro cirúrgico”, explica. Para ela, é importante que a cliente questione sempre a depiladora sobre o método utilizado e, principalmente, que a cera não seja reutilizada. “No Brasil, a depilação na região íntima costuma ser muito cavada, o que aumenta os riscos de as mulheres contraírem vírus como o HPV, em caso de cera compartilhada”, analisa.
Fabiane Mulinari Brenner, dermatologista e coordenadora do ambulatório de pelos e cabelos do Hospital de Clínicas da UFPR, é da mesma opinião. “É comum a cera ser aquecida e reaproveitada em casas tradicionais de depilação, mas o calor não é suficiente para esterilizar o material, ele apenas diminui a população bacteriana, enquanto alguns vírus continuam resistentes”, explica. Ela avisa que a crença de que raspar o pelo o tornaria mais grosso não passa de um mito. “A lâmina oferece menos atrito do que a depilação por cera, que aumenta a chance de desenvolver pelos encravados. Além do desconforto que causam, principalmente na região da calcinha, as pseudofoliculites ainda costumam deixar manchas escuras na pele.”
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