Saúde e Bem-Estar

Tábua de salvação

Larissa Jedyn
05/02/2007 00:31
larissa@gazetadopovo.com.br
Uma esperança para a prevenção do câncer de cólon do útero. A FDA, agência americana reguladora de remédios e alimentos, e o Ministério da Saúde aprovaram a primeira vacina contra esse tipo de câncer, que é responsável por 4 mil mortes a cada ano. Dois grandes laboratórios estão trabalhando simultaneamente na substância, capaz de imunizar pessoas contra o HPV, vírus transmitido sexualmente e presente em todos os casos de câncer desse tipo. O primeiro deles já conseguiu colocar o produto no mercado.
Desenvolvida pelo laboratório Merck Sharp and Dohme, a vacina, chamada Gardasil, protege contra os HPVs 6, 11, 16 e 18, sendo que os dois primeiros são causadores de verrugas genitais em homens e mulheres, e os dois últimos provocam lesões no coólon do útero, que podem ser precursoras de câncer. A vacina demonstrou até 100% de eficácia em estudos clínicos.
A outra está sendo testada pelo laboratório Glaxo Smith Kline e atua contra os HPVs 16, 18, 31 e 54. “Ambas são semelhantes e profiláticas, ou seja, evitam cânceres genitais que tenham origem pela presença do HPV. Não estamos falando de cura, mas de prevenção”, comenta Newton Sérgio de Carvalho, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), responsável pelo departamento de atendimento a infecções femininas no Hospital das Clínicas. Segundo ele, as substâncias têm a chamada proteção cruzada, que protege contra diferentes tipos do vírus – são pelo menos 30 da família do HPV que podem se desenvolver no aparelho genital –, o que quer dizer que, mesmo que uma pessoa tenha um dos tipos de HPV, pode ficar imunizada contra os outros. “Em 70% dos casos o vírus é transitório: a pessoa contrai e passado um tempo ele vai embora, mas o corpo não produz anticorpos contra ele, o que reforça a importância da vacina, que imuniza o corpo contra os tipos determinados de vírus”, explica Carvalho.
A eficácia da vacina foi aprovada, mas, no entanto, não se sabe a sua duração. “Seu poder de imunização ainda é presente cinco anos depois de aplicada. Ou seja, se a menina receber a vacina por volta dos 10 anos, estará protegida até os 15 pelo menos, quando ocorrem os principais riscos de contaminação. Quanto antes for feita a proteção é melhor, principalmente se for feita antes da iniciação sexual”, explica Rosires de Andrade, professor de reprodução humana na UFPR, diretor do Centro de Estudos e Pesquisas em Reprodução Humana e Fertilização Assistida de Curitiba e pesquisador da Merck Sharp & Dohme.
Até então, a única prevenção do câncer de cólon de útero possível às mulheres era o exame anual no ginecologista, que podia atestar a presença de alguma lesão genital e tratá-la antes que evoluísse para um quadro mais grave. Os exames laboratoriais que atestam a presença de algum tipo de HPV são caros e, por isso, segundo Newton de Carvalho, vale mais a pena investir na vacina, que será comercializada por até R$ 480.
A vacina, que deve ser administrada em três doses, é indicada para mulheres entre 9 a 26 anos. Mas mulheres com idades superiores também podem receber o medicamento “É preciso encarar a vacina como investimento em saúde, principalmente tendo em vista o grande mal que evita”, diz Rosires. Por enquanto, o produto não está disponível na rede pública de saúde.
Serviço: Departamento de Atendimento a Infecções Femininas do Hospital das Clínicas, fone (41) 3262-0708 / Onde vacinar: Cerhfac (Centro de Estudos e Pesquisas em Reprodução Humana e Fertilização Assistida de Curitiba), Rua Amâncio Moro, 77, fones (41) 3253-6622 e 3254-3424 / Cia da Vacina, no Shopping Estação, fone (41) 3077-0099.