Saúde e Bem-Estar

Trans oculta

Larissa Jedyn
10/09/2007 00:21
A cruzada contra a gordura trans está completando um ano. Desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou uma resolução que determina a declaração da quantidade da substância nos rótulos de produtos alimentícios, os engenheiros da indústria alimentícia quebram a cabeça para tentar reduzir a quantidade da malfadada trans, sem perder os atributos garantidos por ela. E os consumidores mais conscientes andam afoitos – com calculadora em punho – para saber se os tabletinhos do chocolate preferido estão na quantidade recomendada de consumo diário.
Se você já suspira aliviado com a inscrição “zero trans” nos rótulos e não estranha o fato de a indústria alimentícia ter se adaptado tão rapidamente à nova legislação, vá com calma antes de atacar o pacote de salgadinhos. Segundo a nutricionista Marilize Tamanini, algumas indústrias usam uma brecha técnica para continuar a vender produtos com gordura trans e ao mesmo tempo utilizar selos declarando “livre de gordura trans”.
Isso acontece, de acordo com ela, porque se o produto contiver até 0,2 g de gordura trans por porção tem a permissão da Anvisa para estampar na embalagem informações como “não contém…”, “livre de…”, “zero…” ou “isento de…”. Assim, o fabricante poderia escolher um tamanho de porção que fique abaixo de 0,2 g para servir de referência. “O fato é que, na prática, podemos consumir 1% do total de calorias da nossa dieta de ácidos graxos trans, ou seja, 2 g”, informa a nutricionista. Só para comparar: três biscoitos waffer já correspondem a 2,1 g de trans, ou seja, mais que 100% da cota diária recomendável de consumo da gordura.
A nutricionista ainda aponta para outra cilada das tabelas nutricionais: “A nova vilã da alimentação é a gordura trans obtida da hidrogenação parcial de óleos vegetais. A medição para os rótulos acontece por meio de análises físico-químicas. A indústria tem utilizado a gordura interesterificada (processo de solidificação de óleos vegetais sem hidrogenação) para substituir a trans nos alimentos”, comenta.
A assessoria de comunicação da Vigilância Santitária do Paraná confirma em comunicado que algumas empresas alteraram o ingrediente gordura hidrogenada para gordura interesterificada, que evita a formação de gordura trans. “Ambas possuem gorduras saturadas e devem ser consumidas com cuidado. A Vigilância Sanitária do Paraná informa que a Ingestão Diária Recomendada (IDR), indicada no rótulo do produto, de Gordura Trans, não é estabelecida, isto é quanto menor a ingestão diária, menos malefícios a saúde. De acordo com a legislação, a indústria deve indicar na rotulagem quando o alimento possuir acima de 0,2g/porção.”
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Serviço
Anvisa, site www.saude.pr.gov.br e fone da Ouvidoria 0800-644-4414
Marina Franco Basy (nutricionista), fone (41) 3222-2200
Marilize Tamanini (nutricionista), fone 3243-3021