Aos 18 anos, ele entrou para o Corpo de Bombeiros, onde encontrou outros homens que também usavam o álcool para se aquecer nas noites de trabalho. Anos depois, casado e com três filhos, a relação com a bebida já o havia transformado. Apesar de dizer que não era violento em casa, no bar a história era outra. “Me lembro das muitas vezes em que briguei e bati, mas das vezes que apanhei só me lembro de ter acordado machucado em algum canto.”
As noitadas de bebedeira o fizeram perder o emprego e levaram o casal à separação. Sozinho, ele alugava um quarto e vivia de bicos. De todos os empregos ele acabava demitido. “Por causa da bebida eu chegava atrasado, sem condições de trabalhar, faltava e achava que estava enganando todo mundo.”
Todas as noites ia para o bar. Lá encontrava conhecidos que iam embora deixando pagas mais bebidas para ele: era um “agrado”. Sempre levava uma garrafa para casa, para tomar no meio da noite; evitava usar copo para que o tremor das mãos não o fizesse desperdiçar bebida. “Chega um momento em que você bebe para ficar bem, como se o organismo exigisse o álcool.”
Há seis anos, uma das filhas foi visitá-lo e o encontrou alcoolizado, procurando entre as roupas espalhadas pelo chão, uma que não estivesse suja. Rocha foi morar com ela e decidiu que queria – e precisava – ficar sóbrio. “Ainda demorou um tempo para eu encontrar os Alcoólicos Anônimos, mas era a ajuda que eu precisava. Passei a entender que ficar sem beber não era algo ruim e que eu podia viver muito melhor, até recuperei minha mulher”, diz. Hoje, Rocha é consultor em dependência química e coordenador do Comitê Trabalhando Com os Outros do AA, e alerta: “Quer beber? Eu não recrimino, mas tem que tomar cuidado. Mesmo para quem não tem a doença do alcoolismo beber é perigoso porque quem bebe atropela, mata no trânsito e causa a violência doméstica”.
Rocha lembra que o AA é um grupo aberto a todos, amigos familiares e quem bebe há pouco tempo. “As pessoas devem vir conhecer, esse é o lugar para saber realmente o que é o álcool. Eu estou há quatro anos sem beber, mas não pretendo deixar o AA. Eles não vão me dar alta como acontece em hospitais ou clínicas de recuperação. Nem eu quero.”
Serviço:
Alcoólicos Anônimos
Os locais e dias em que são feitas as reuniões podem ser conhecidos pelo fone (41) 3222-2422 e site www.alcoolicosanonimos-pr.org.br. Informações também pelo e-mail contato@alcoolicosanonimos-pr.org.br.
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