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O que é preciso para sair do fundo de um poço? Calma, determinação, uma boa dose de força física e principalmente força de vontade. Claro que alguns instrumentos podem ajudar a cumprir o desafio. Uma boa corda, por exemplo, facilita a subida. Uma mão amiga para segurá-la e dar incentivo também é fundamental.
Quando alguém atinge o fundo do poço físico e emocional por causa da dependência química ou do comportamento compulsivo, é possível usar a mesma analogia. Os tratamentos são instrumentos necessários que facilitam e aceleram o processo de recuperação. A orientação de profissionais especializados e o apoio de amigos e familiares eleva a auto-estima, nos dá coragem e segurança para seguir em frente.
Superar a dependência, entretanto, é muito mais difícil do que escalar uma parede. Para ver a luz, os esforços dos outros não têm valor algum se a iniciativa não partir da própria vítima.
As próximas páginas apresentam a história de quatro pessoas comuns que conseguiram vencer as drogas, o álcool e a compulsão alimentar. Apesar do amor incondicional da família, das internações e dos medicamentos, só conseguiram sair do buraco quando perceberam que estavam perdendo tudo, inclusive a vontade de viver.
Saiba também como se desenvolve a dependência e conheça os principais tratamentos utilizados na recuperação de quem enfrenta esse tipo de doença.
Os caminhos do vício
De acordo com a psicóloga Tamara Marussig, especialista no tratamento de dependência química, na clínica Quinta do Sol, em Curitiba, a dependência existe quando a pessoa não tem mais controle sobre o impulso de repetir um comportamento ou de usar uma substância química. “As pesquisas têm mostrado um aumento no uso de substâncias psicoativas, mas ainda é difícil encontrar uma causa que explique este comportamento. Podemos atribuí-la aos valores sociais e educacionais da época em que vivemos”, explica. Fatores ambientais (acesso indiscriminado) e biológicos (predisposição genética) também devem ser levados em conta.
A dependência química é caracterizada pelo consumo descontrolado de substâncias lícitas, como álcool e analgésicos, e ilícitas, entre elas maconha, cocaína, heroína e crack. A compulsão também é considerada uma dependência. A pessoa se vicia na sensação de satisfação conseguida por compras, esportes, comida, sexo, jogos e até mesmo a internet.
Quem sofre de dependência química ou não-química tem ao seu alcance vários tipos de tratamentos. “Os mais preconizados são aqueles que envolvem uma rede de suporte para o paciente. Geralmente inicia-se pela desintoxicação, acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia, técnicas cognitivo-comportamentais que ajudam na mudança de estilo de vida e na prevenção da recaída”, enumera Tamara.
A Comunidade Terapêutica Dia, coordenado pelo médico e teólogo Higino Bodziak, não trabalha com o internamento, mas oferece atividades lúdicas e didático-científicas como musicoterapia, oficinas de dramatização e comunicação integrada. A Comunidade foi responsável pela primeira campanha publicitária criada por ex-dependentes químicos.
Os grupos de apoio, quase sempre anônimos ou ligados à instituições médicas, também são importantes alternativas de recuperação.
Serviço: Comunidade Terapêutica Dia – R. General Aristides Athaide Júnior, 1.070, fone (41) 3336-1990, www.ctdia.com.br / Clínica Quinta do Sol – R. Cel. Francisco H. dos Santos, 1.180, 3267-6969, www.clinicaquintadosol.com.br.
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