Atrás das vitrines quadradinhas onde estão expostos, filhotes de variadas raças – de lhasas apso a bulldogues –, se divertem com seus brinquedinhos e pulam de um lado para outro enquanto aguardam sua provável família. Todos os dias, centenas de pessoas observam o comportamento deles antes de se decidirem por um ou outro. Mesmo sem ter ainda um nome, os bichinhos esperam despreocupados. Mas engana-se quem acredita que somos nós quem decidimos, afinal, os mais criteriosos animais nesse momento são exatamente eles
“Em meio às traquinagens com meu parceiro de ‘vitrine’, sei que estamos sendo observados. Os pais sempre nos olham com ‘cara de bobos’ e as mães sorriem e às vezes torcem o nariz. As crianças… ih…., essas sempre querem nos pegar no colo e nos apertar…”
Se os cães prestes a serem comprados pudessem falar, com certeza reclamariam por não terem nem mesmo um nome próprio. São simplesmente “lhasas apso”, “yorkshires”, “malteses”, “bulldogues” e “chow-chows” até o momento de receberem um novo lar.
O analista de importação, Felipe Gustavo Pallú, pensou em vários nomes para seu futuro bicho, como Nescau e Skol, mas já se decidiu por Bacardi. “Agora procuro um cãozinho que se enquadre nesse nome”, brinca ele, que procura um parceiro para ver televisão. “Estou em dúvida, mas acho que vou me decidir pelo bulldog, por ser mais sedentário e ter uma aparência mais masculina.”
Aliás, a raça é uma das que têm maior capacidade de cativar de imediato, “principalmente homens e crianças”, como explica Cleberson de Lima, gerente da Pet Show do Supermercado Angeloni. “Por ter uma cara de ‘ursinho’ quando filhote e uma expressão de pena, são muito escolhidos, assim como os pugs e os peludos pequinês, yorkshire e os malteses”, diz.
A médica veterinária da pet shop e do Hospital Veterinário Batel, Ana Paula Fabri, confirma a preferência pelos de “olhar de pidoncho”, além daqueles ativos e vivazes que ficam o tempo todo pulando e brincando, que chamam a atenção e cativam futuros proprietários. Ana Paula prepara a chegada dos cãezinhos ao local e esclarece as dúvidas dos interessados. “Conversamos sobre a raça, qual o enxovalzinho necessário, caminhas e potinhos, as melhores rações e os problemas específicos”, cita ela, que diz se interessar apenas por compradores conscientes. “A compra por impulso não é estimulada, porque sempre a pessoa retorna por problemas de adaptação”, diz.
Colunistas
Agenda
Animal





