Segundo uma pesquisa feita por Izabel, que é também diretora da Associação Brasileira de Odontologia Veterinária, 98,5% dos cães e gatos observados em Curitiba tinham problemas bucais. Porém, muitos donos não sabiam disso. “Esse problemas ficam escondidos e não chamam tanto a atenção quanto doenças dermatológicas, por exemplo. O perigo é só perceber uma doença bucal quando ela está em um estágio grave”, diz a veterinária, que recomenda vistorias odontológicas anuais para os bichos. A consulta custa em média R$ 100.
Caninos tortos
Outros problemas bucais recorrentes são relacionados a dentes de leite que não caem, assim como fraturas, tumores e má oclusão (fechamento bucal). Para solucionar este último caso, os veterinários aplicam até aparelhos, como o usado pela labrador Sorte, da empresária Ângela Almeida. “Um dos caninos feria a gengiva superior dela e, para não arrancá-lo, a melhor coisa a fazer era colocar o aparelho”, conta Ângela, que desembolsou cerca de R$ 2 mil reais para a aplicação. Depois de usar por um mês o aparelho fixo (semelhante ao usado em humanos), o dente ficou na posição certa, trazendo alívio para a mascote.
“Tem gente que acha esse tipo de cuidado um desperdício, mas isso não é um luxo estético. É um cuidado que melhora o bem-estar e o desenvolvimento do animal”, diz a empresária.
A veterinária Izabel explica que o aparelho só é recomendado após uma avaliação minuciosa, para proteger a saúde do pet: “Nem todos os bichos podem receber as anestesias para a colocação do aparelho e, dependendo do temperamento, eles podem arrancar e engolir as peças”.
Comportamento
O cuidado com a boca também afeta o comportamento dos animais. A poodle Ully, por exemplo, quando filhote, era bastante assustada e arredia. Isso porque foi agredida por um homem na rua e fraturou a mandíbula. Mais tarde, isso fez um de seus dentes se chocar com outro, provocando dor, conta a aposentada Margarida Silva, dona da Ully. “No caso dela, foi melhor extrair o dente. Depois ela passou a comer melhor e ficou bem mais calminha”, diz Margarida, que escova os dentes de Ully e do yorkshire Chopper diariamente. “Eles não tem mau hálito nem tártaro.”
O hábito da escovação deve ser adotado com os bichos ainda filhotes, indica o veterinário Luiz Cibin, da clínica Vida de Bicho: “Assim, o animal se acostuma a deixar o dono manipular a sua boca”. Ele ressalta, porém, que apenas pastas de dente especiais podem ser usadas. Diferente das pastas para humanos elas não têm flúor e podem ser engolidas sem problemas. Além disso, têm sabor carne ou frango, transformando a escovação em uma saborosa brincadeira.
Serviço
Clínica Odontocão, Rua Teffé, 656, fone (41) 3013-0648.
Clínica Vida de Bicho, Av. Presidente Getúlio Vargas, 3.203, fone (41) 3029-5284.
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