Na sala da casa pequena e confortável em um condomínio fechado, os porta-retratos em cima do balcão denunciam o amor da aposentada Apparecida Guglielmi, 76 anos, pelos cachorros. “Sempre tive cachorro, desde que nasci”, conta a simpática dona Filhinha, apelido pelo qual todos a conhecem. “Se falar Apparecida, ninguém sabe quem é”, vai avisando.
Quando chegamos – repórter e fotógrafo –, dona Filhinha já nos esperava na varanda, com a “netinha” Thays no colo. Muita festa, sessão de fotos e lambidas depois, começamos a conversa.
Conversa longa, daquelas que não se tem mais tempo para travar. Dona Filhinha é ótima contadora de histórias e narra os episódios da vida sofrida sempre procurando o lado cômico, o que nos leva a gostosas risadas. “Já passei por poucas e boas”, diz em meio a episódios de sua vida. Thays, nessa altura, dorme confortavelmente no colo de dona Filhinha.
“Foi paixão à primeira vista”, conta, sobre o dia em que viu a filhotinha de puddle em uma feira em um shopping. Ela tinha acabado de se submeter a uma cirurgia para retirar um câncer de mama. “Tive de comprá-la e foi a melhor coisa que fiz na minha vida”, diz a risonha senhora, que vive sozinha em Curitiba. Sua filha e neta moram em São Paulo.
“A Thays me preencheu. Tenho que dar comida a ela, levar no veterinário, ela me obriga a fazer um monte de coisas que, se não fosse por ela, não faria.” É a cadelinha quem acorda dona Filhinha na hora do remédio da manhã.
“Não deixo a Thays sozinha de jeito nenhum, nem tenho vontade de sair sem ela. Estou feliz com essa vida”, garante. Certa vez, ela tentou deixá-la no veterinário para passar as festas de fim de ano com a família, mas não ficou sossegada. “Todos viajaram e eu fiquei”, diz, sem mágoas.
A veterinária Wendi Caetano, que atende a puddle, costuma falar para os clientes o que acha exagerado na relação com os animais. “No caso da dona Apparecida, acho benéfico. A cachorrinha é um estímulo para ela levantar de manhã”, afirma.
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