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Animal

Diário de um cãozinho abandonado II: como é difícil ser um macho-alfa!

Gazeta do Povo
16/03/2012 13:00
“Oi, pesso-au! Eu sou o Caco, lembram de mim? Na última terça-feira, 13 eu contei como vim parar neste mundo e apresentei a minha família, a família Muppets. Agora que vocês me conhecem um pouco, vou contar mais um pouco da minha vida e das coisas que vejo.
Relembre a história do Caco, um filhote que nasceu na rua, após a sua mãe ser abandonada pelos donos.
Desde que o meu irmão Gonzo virou estrelinha e nós fomos para o lar temporário na casa da tia Elisa, eu passei a ser o cachorro-alfa da matilha. Com duas irmãs isso não é fácil, elas ficam assustadas o tempo todo. Mulheres… E no dia em que fomos todos parar no veterinário, por causa da parvovirose, eu fui bem valente, sabiam?
Esse dia foi muito difícil para mim, mas mais ainda para as meninas, que continuam internadas. Ainda bem que a Tia Elisa foi rápida – apesar de já estar tarde e escuro lá fora -, porque todo mundo sabe, filhote canino, nesse ponto, se parece com filhote humano: tem de ser levado o quanto antes ao médico, logo no primeiro sinal de que algo está errado.

Mas nos levar não foi tão fácil assim, porque a Tia Elisa não tem carro. Sorte que o Tomba Latas tem uma rede de solidariedade bem bacana, e quem acabou nos levando para a Clínica Veterinária Save foi a tia Roberta, que contou com a ajuda da sua mãe.
As duas meninas, Camila e Piggy Jr, no carro da mãe da Tia Roberta
Quando chegamos à clínica, começou a apalpação. Eu não gostei, as moças ficam cutucando a gente. Ainda bem que elas são bonitas e carinhosas – falam com cuidado e olham a gente com muito amor. Isso faz diferença e a gente percebe. Mas mesmo todo carinho não foi capaz de evitar que as minhas manas ficassem internadas. No começo deixaram elas separadas, mas elas gritaram e choraram tanto que as doutras colocaram as duas juntas. Me contaram que elas estão melhores: a Piggy Júnior já está comendo um pouco e acho que a Camila vai começar a melhorar também.
As duas meninas na clínica. A Piggy Jr (atrás) já está melhorzinha. Só falta a Camila ficar mais fortinha agora.
Eu, como tinha dito antes pra vocês, voltei para o lar temporário naquela noite mesmo, feliz da vida. É bom ter um lar para voltar, mesmo que seja por poucas semanas. Com tanta correria, acabei dormindo a noite toda. Mas quando acordei de manhã, e vi que as minhas irmãs não estavam comigo, desabei! Sou muito novo para essa história de macho-alfa e chorei muito mesmo.
Depois que acordei e vi que estava sozinho, desabei!
Espero que a tia Elisa não se incomode muito com esse pequeno escândalo. Lar temporário para filhote é assim mesmo. Somos lindos e fofos, mas tem um certo trabalho envolvido. Se você quiser ser voluntário tem que estar preparado. E se quiser adotar filhote, ao invés de adulto, tem que considerar que somos pequenos e que provavelmente será a nossa primeira vez longe da mãe e dos irmãos.
Mas isso é assunto para outra história. Licencinha que vou ali chorar…
Filhote é fofo, mas às vezes dá um trabalho…
P.S.: a tia Carla, do Tomba Latas, pediu pra deixar um recadinho, sobre como funciona a rede. O Tomba não é ONG e não tem abrigo. O Tomba é um grupo de amigas loucas por cachorros. Elas pagam tudo (hotel, ração, castração, remedinhos, vacinas) com o salário delas e contam com a ajuda dos “aumigos”. Elas fazem rifas e parcerias, ou seja, se viram “nos trinta”. Mas isso não quer dizer que elas podem sair por aí pegando todos os cachorros abandonados que os outros encontram. Por isso, elas deixam uma sugestão: quando você encontrar um cachorrinho na rua, que tal botar a mão na massa? Quem sabe você também começa um grupo bacana que nem esse…