Mascote Fit

Animal

Muito além dos instintos

Adriano Justino
05/08/2006 22:27
Muita gente diz que um animal age instintivamente quando faz algo diferente de sua rotina, mas não é essa característica que define de forma apropriada o impulso que transcende a experiência de vida dos bichos. “A ação instintiva é aquela executada pela primeira vez pelo animal, sem que ele tenha tido informação prévia sobre o uso, ou seja, é um comportamento transmitido geneticamente”, explica o professor Emygdio Leite de Araújo Monteiro Filho, do Setor de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Por exemplo, quando o filhote nasce, ele sabe que deve succionar o mamilo da mãe.”
São muitos os exemplos de atitudes instintivas na natureza. Nas savanas, quando nasce um filhote de antílope, em situação de perigo ele sabe que deve se abaixar para se esconder do predador, assim como o quero-quero, que se esconde nas moitas. “Da segunda vez ele já é considerado conhecimento adquirido, que pode ser aprimorado ao longo do tempo”, diz Monteiro.
Também não se deve confundir instinto com inteligência animal, que nada mais é que sua capacidade de resposta aos diferentes estímulos ambientais. “Não existe distinção entre racionais e irracionais, pois há animais que fazem associações tão complexas quanto as feitas pelos homens.” Os pingüins-imperadores da Antártica sabem, por experiência, que é mais produtivo viajar muitos quilômetros no gelo em busca do lugar ideal para sua reprodução do que ter seus filhotes no local onde vivem boa parte do ano, mesmo sabendo que haverá sofrimentos e perdas.
Segundo o professor, há fatos bem primitivos que mesmo animais domesticados tendem a fazer ao longo da vida, como a cachorrinha que come parte da placenta após o nascimento do filhote, para absorver a energia para a maternidade. “Enterrar os restos também é natural, posto que em estado selvagem, deixar uma placenta à vista poderia chamar predadores.”