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Animal

Não existe o mês do cachorro louco

Ricardo Ampudia
04/08/2007 23:56
Na cultura popular o mês de agosto ficou conhecido como o “mês do cachorro louco”, quando supostamente os cães seriam afetados pela raiva. Segundo o médico veterinário Marcelo Beltrão Molento, professor do departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o mito surgiu quando as cachorras entravam no cio, em junho e julho, e os cães soltos nas ruas tinham muito contato um com o outro, transmitindo a raiva entre eles.
De acordo com o veterinário, o período de incubação do vírus da raiva é de cem dias. Então, em agosto, os sintomas se manifestavam nos cães que haviam sido infectados naquela época. “No Paraná, hoje, a raiva não ocorre mais em cães. Em algumas regiões, como o Norte do Estado, há casos de raiva bovina, transmitida pelo morcego”, diz.
O professor ainda comenta que o principal sintoma da hidrofobia, como é conhecida a raiva, é a paralisia muscular, inclusive da face e da língua, impossibilitando o cão de beber água – daí o nome.
Segundo Molento, a vacinação coletiva anual – feita antigamente pelas prefeituras – não é mais realizada, já que a doença foi erradicada em cães. “Não se vacina mais porque não se tem mais incidência da doença no Estado. É um critério técnico”, afirma.
No entanto, ele alerta para a transmissão de outras doenças como leptospirose e toxosplamose. “A transmissão de outras doenças pelos cães pode ser evitada, não permitindo a exposição do animal à ambientes contaminados. Isso significa não deixar o cão na rua, por isso incentivamos a posse responsável”, aconselha.
Para vacinar cães contra a raiva basta levá-lo ao Centro de Controle de Zoonoses de Curitiba, que oferece gratuitamente a vacina, que deve ser aplicada anualmente.