Mascote Fit

Animal

Um camundongo de prestígio

Beto Pacheco, especial para a Gazeta
02/08/2008 03:31
Criador de topolinos há seis meses, Péricles Svoboda Pereira diz que o fato de o roedor “ser um bicho diferente” foi o que mais atraiu sua atenção. “Todo mundo fala que rato é nojento, mas não o topolino. Eles são muito limpos e raramente ficam doentes.” Atualmente, Péricles tem para a venda 40 desses minimouses em cativeiro. Mas a criação, segundo ele, começou por um descuido: “Eu mantinha um macho e uma fêmea separados. Um dia, a fêmea fugiu, pulou dentro da gaiola do macho e tiveram a primeira ninhada. Depois desse imprevisto, decidi estender a criação.”
Das diversas espécies de roedores, este camundongo, se visto pelo viés comercial, é o mais compacto e econômico. Péricles comenta que um topolino mede no máximo 13 centímetros (incluindo a cauda) e pesa, em média, 20 gramas. Para aqueles que estão acostumados a comprar ração em quilos, a quantidade de alimentos ingeridos por este bichinho é um alívio para os bolsos: o consumo diário de um adulto fica em torno de oito gramas. Eles comem sementes, cereais em grãos, frutas e verduras. Mas já existe no mercado rações industrializadas e balanceadas que oferecem os nutrientes necessários para uma alimentação saudável.
Apesar dessa recente descoberta do topolino como animal de estimação, não é de hoje a relação da espécie com o homem. A domesticação só ocorreu a partir da utilização de camundongos como cobaias em laboratórios. A capacidade de aprendizado e a facilidade de criá-los – ocupam pouco espaço e convivem bem em colônias – foram os fatores determinantes para seu uso em pesquisas. E passar dessa etapa à criação em cativeiro, com a finalidade de transformá-lo em mascotes, foi um pulo.
Hiperatividade
Para se ter um desses pequenos em casa é bom seguir algumas dicas. Primeiro, comprar uma gaiola, com um bom espaço, e acessórios para o topolino poder se movimentar. Ele é muito ativo e precisa gastar energia. Manter a gaiola em um lugar arejado e não muito frio. A médica veterinária Aline Maria Stolf, da clínica Vida Livre (de animais exóticos), alerta que as pessoas tendem a deixar os bichinhos na lavanderia, que não é um dos lugares mais aquecidos da casa, e eles acabam pegando pneumonia.
Outro problema de saúde que atinge os topolinos está ligado à falta de higiene. Aline adverte que é preciso limpar com freqüência, de preferência diariamente, a gaiola, porque os bichinhos correm o risco de contrair infecções. Também não se pode esquecer de manter o bebedouro e o comedouro sempre com água e alimentos frescos e adequados. A veterinária diz que aparecem no consultório casos de carência nutricional. “As pessoas adquirem roedores e não se informam sobre a alimentação correta.”
Topolino x hamster
O criador Péricles Pereira comenta que a diferença de comportamento entre o hamster e o topolino está no fato de o primeiro ser mais estressado. “O topolino é normalmente calmo, por isso, é um excelente pet para se ter como companhia. Além do mais, quando tem uma ninhada, convive tranqüilamente com os filhotes. Já o hamster pode atacar e você tem de separá-lo da fêmea e dos filhotes”, alerta.