Saúde e Bem-Estar

A dor de crescer

Érika Busani
01/10/2006 03:58
erikab@gazetadopovo.com.br
A cena é clássica: a criança acorda reclamando de dor nas pernas sem que haja nenhum hematoma ou machucado aparente. Uma sessão de massagem, uma dose de carinho e no outro dia ela acorda tão serelepe como sempre.
Embora não se saiba quais são as causas, essa dor, que aparece no final da tarde ou à noite, foi denominada, em 1850, de dor de crescimento e assim é conhecida até hoje. “É uma queixa freqüente nos consultórios pediátricos”, afirma o endocrinopediatra Geraldo Miranda Graça Filho.
Ela afeta crianças entre 3 e 8 anos e é mais comum até os 6. Freqüentemente se concentra nos joelhos e panturrilhas, mas também pode atingir as coxas. “A princípio, não se acredita que seja realmente ligada ao crescimento, embora estudos experimentais com animais tenham concluído que o crescimento se dá durante a noite”, diz o ortopedista pediátrico Luiz Antônio Munhoz da Cunha, do Hospital Pequeno Príncipe.
Uma das hipóteses mais aceitas é a de que o crescimento ósseo, mais rápido que de músculos e ligamentos, faria essas estruturas trabalharem tensas durante o dia, resultando em dor à noite.
Como a dor vai e volta, alguns pais acabam desconfiando que seja apenas uma forma do filho chamar a atenção. “Muitas das crianças que têm dor de crescimento têm um comportamento mais dengoso. Às vezes têm também dor de cabeça, de estômago, são mais depressivas”, diz Cunha. Mas isso não é uma regra. E a dor é real, por vezes intensa.
Para Graça Filho, as queixas merecem atenção dos pais e uma visita médica para afastar a possibilidade de doenças que causam dores parecidas. “Quando a criança indica dor e começa a mancar ou pára de fazer algo que gosta, deve ser investigado”, alerta. A dor de crescimento não é incapacitante e os pequenos nem se lembram dela durante as brincadeiras diárias.
Analgésicos são recomendados apenas quando a sensação dolorosa for mais intensa ou resistente. O melhor jeito de fazer a dor passar é mesmo aquecer o local, com massagem ou aplicação de bolsa de água quente. Carinho de mãe e pai, nesse caso, cura mesmo.
Serviço: Geraldo Miranda Graça Filho (endocrinopediatra), fone (41) 3322-2208 / Luiz Antônio Munhoz da Cunha (ortopedista pediátrico), fone (41) 3310-1324 / 1321 (Hospital Pequeno Príncipe).