Veja como o aluno com TDAH pode ser ajudado pela escola:
De que forma os professores podem ajudar um aluno com TDAH?
Em primeiro lugar é preciso que o professor esteja informado sobre o que é o TDAH, suas causas e como ele se manifesta nas diferentes situações do dia a dia. Ele pode agir para diminuir o impacto do transtorno e garantir que, em sala de aula, a criança não seja hostilizada ou ridicularizada pelos colegas.
Se você é um educador, aproxime-se do aluno e o escute. Ele vai lhe dizer como gosta que seja tratado. Nunca se esqueça que, no caso do TDAH, a incapacidade do aluno de concluir uma tarefa não é sinônimo de falta de desejo, ou desinteresse.
Como o desempenho do aluno com TDAH pode ser avaliado?
Segundo o livro No mundo da Lua (Editora Lemos, R$ 30), é importante ter como medida de avaliação o quanto um aluno se esforçou para fazer alguma coisa e não o resultado final. O livro também lança uma pergunta importante: “Será que seu filho não se dá bem na escola porque não estuda, ou será que não estuda porque, por mais que se esforce, não consegue se dar bem?” Que pessoa se sentiria bem e motivada em fazer, dia após dia e ano após ano, coisas que não consegue fazer tão bem quanto os outros?
Toda criança portadora do transtorno tem problemas de aprendizagem?
Segundo o neurologista infantil Antônio Carlos de Farias, mestre em neurociência, o TDAH não é um transtorno de aprendizagem. “No TDAH, o comportamento da criança dificulta a aprendizagem”. Ele explica que nem toda criança com TDAH tem problemas para aprender. No TDAH, de acordo com Farias, o que mais preocupa são as questões de ordem comportamental, a dificuldade de adaptação na escola e os relacionamentos inter-pessoais. Antes o TDAH era classificado como distúrbio do aprendizado (mas a grande maioria das crianças não têm problemas para aprender e sim para prestar atenção, ou se dedicar a estudar) ou de comportamento, de acordo com o livro No Mundo da Lua.
Como saber que escola é melhor para a criança?
A escola deve ter interesse em receber o aluno e atender suas necessidades especiais, conforme explica Antônio Carlos de Farias: “É preciso que a escola tenha medidas inclusivas. Há algumas que têm bastante dificuldade em atender o aluno e os problemas se acentuam. Muitas escolas dizem que têm a política de inclusão, mas depois que a criança entra, descobre-se que não é bem assim”, afirma. Segundo a pedagoga Vera Julião, diretora do Colégio Novo Ateneu, o formato muito tradicional de escola já não se adequa as crianças de hoje. “Essa inadequação pode se manifestar em um comportamento da criança que até pode ser confundido com um sintoma de TDAH”, explica. O ideal é visitar as escolas e perguntar ao seu filho em qual delas ele se sente melhor.
O que esperar da escola?
De acordo com Vera Julião, os pais não podem esperar da escola o diagnóstico de TDAH. “Os sintomas são sutis e é preciso que o profissional da área médica investigue. Depois de diagnosticado, o profissional de saúde conta para a escola como essa criança funciona e o que é preciso para trabalhar com ela”, diz.
Por outro lado, a escola pode, sim, trabalhar lado a lado com pais e médicos para o bem da criança. Algumas escolas permitem que o aluno diagnosticado com TDAH faça as avaliações em separado para que ele não tenha a concentração interrompida. “Se há problema de comportamento associado, se ela distrai os outros colegas, isso precisa ser controlado, o que deve ser feito por todos juntos (pais, professores e médicos) para que os demais alunos não sejam prejudicados”, explica Vera.
Segundo o pediatra Ricardo Halpern, presidente do Departamento de Saúde Mental da Sociedade Brasileira de Pediatria, o papel das escolas é fundamental: “Em primeiro lugar, no reconhecimento das dificuldades do aluno e na participação do processo de tratamento com as adaptações necessárias a essas crianças. Por outro lado, ainda falta informação correta sobre os critérios diagnósticos. Muitas vezes a escola encaminha o aluno agitado para a realização de um eletroencefalograma. Isso é errado. O diagnóstico de TDAH é clínico, não há exames que possam identificá-lo.”
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