Saúde e Bem-Estar

À procura de ajuda qualificada

Adriano Justino
07/11/2005 00:15
Quando a doença é crônica e a carga horária nos consultórios dos especialistas aumenta, o melhor é procurar profissionais competentes e pacientes, que se adaptem à dinâmica da família. “Nessa hora, os pais querem um médico sensato, que saiba medir a situação. As doenças em si já são bastante complicadas e eles não precisam de um médico pessimista, mas alguém interessado, atualizado e com os pés no chão”, avalia o pneumatologista pediátrico Paulo Kussek, chefe da unidade de fibrose cística do Hospital Pequeno Príncipe.
Uma dica da endocrinologista Rosângela Rea, tanto para pais como para médicos, é valorizar qualquer avanço da criança no vencimento da doença. “Mesmo quando o resultado é pobre, é preciso elogiar. Um pai ou um médico não pode criticar em exagero uma criança diabética, por exemplo, que não conseguiu se controlar nos doces. É preciso explicar o erro e sempre reforçar o positivo”, afirma.
Na adolescência, momento que costuma ser mais difícil a adesão do doente ao tratamento, a compreensão é fundamental. Os jovens querem ser iguais aos seus colegas e, como muitas doenças impedem a realização das mesmas tarefas de outros da sua idade, sofrem se não há muito diálogo e carinho.
“Quando se usam corticóides após um transplante renal, por exemplo, muitas meninas deixam de tomar o medicamento por medo de engordar e têm rejeição do órgão. Daí é preciso conversar com elas, sem perder a paciência”, exemplifica Ricardo Benvenutti, médico nefrologista, responsável pelo setor de transplante do Hospital Evangélico e do Hospital Vita. “O que melhor resolve é a orientação. Se médico e pais conseguem convencer os pacientes dos objetivos do tratamento, sem dramas, é mais fácil criar uma situação amistosa com a doença”, complementa Rea.