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Ansiedade, emoção, medo, alegria. O nascimento de um filho traz uma mistura de sentimentos, que algumas vezes resultam da desorientação: mães separadas de seus bebês podem não fazer a menor idéia do que acontece com eles. Como a rotina após o nascimento varia em cada maternidade, é importante que a gestante se informe antes para verificar se os procedimentos estão de acordo com a sua vontade.
Em alguns hospitais, o bebê fica cerca de cinco minutos com a mãe quando nasce e é logo levado ao berçário. O reencontro acontece cerca de duas horas depois, já no quarto. É assim no Hospital Santa Cruz.
O recém-nascido normal passa por diversos procedimentos de rotina. Recebe vacina contra hepatite B, vitamina K, uma gota de nitrato de prata nos olhos para evitar a conjuntivite gonocócica (credeização), é pesado, medido, aspirado – uma sonda vai até o estômago e retira o líquido presente –, tem o cordão umbilical clampeado (pinçado), passa pelo teste de Apgar (leia explicação na página ao lado) e pelo exame do orifício anal – uma sonda de silicone é passada para verificar a hipótese de ânus impérvio (imperfurado).
Quando o bebê vai para o quarto, uma enfermeira orienta a mãe sobre a amamentação. No Santa Cruz, o alojamento conjunto é opcional – a mãe determina por quanto tempo quer o bebê no quarto. Banhos e trocas são feitos na presença da mãe. O hospital inclui na sua rotina o teste do olhinho, sem custos, pezinho plus – que detecta 23 doenças – e da orelhinha, ambos pagos.
No Hospital de Clínicas, a ordem é para que os bebês de boa vitalidade não sejam separados da mãe. “Devemos propiciar o contato mãe/bebê o mais rápido possível. Eles devem permanecer na primeira meia ou uma hora juntos”, diz o pediatra Antônio Carlos Bagatin, professor de Neonatologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Em bebês normais, procuramos não interferir muito, fazendo o mínimo de procedimentos possível. Basicamente aquecemos, enxugamos e entregamos para a mãe. Apenas 10 a 20% dos bebês precisam de alguma intervenção. Cada vez mais está claro que esse momento deve ser de muita tranqüilidade.”
O HC faz parte da iniciativa Hospital Amigo da Criança, idealizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Unicef para promover o aleitamento materno. Entre os dez passos preconizados pelo programa, o bebê é incentivado a sugar o seio da mãe ainda na sala de parto.
Os exames necessários são feitos depois desse contato mais prolongado entre mãe e bebê. Até mesmo o banho pode ficar para depois, a não ser em casos especiais, como mães portadoras de HIV. E o mais rápido possível a criança segue para o alojamento conjunto, ficando junto da mãe durante todo o tempo de internação.
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