Empresas como a Mattel e a brasileira Gulliver retiraram do mercado uma série de produtos fabricados na China, que apresentavam defeitos que poderiam pôr em risco a vida de crianças. Brinquedos pintados com tinta à base de chumbo ou que contêm peças soltas representam grande perigo, principalmente para os menores de três anos. De acordo com a pediatra Clarice Arns da Cunha Warnecke, do Hospital Nossa Senhora das Graças, peças engolidas podem causar infecções, perfurações intestinais, podendo inclusive levar à morte. Já a aspiração de pequenos objetos pode causar sufocação, infecção das vias respiratórias e broncoespasmos. “Produtos feitos com materiais à base de metais pesados também são altamente prejudiciais à saúde. Causam intoxicações graves e alergias”, complementa.
A médica infectologista Viviane Hessel Dias, 31 anos, é muito cautelosa na escolha de brinquedos para o seu filho Gabriel, de 10 meses. “Antes de comprar um brinquedo para ele ou para qualquer outra criança, sempre verifico a embalagem à procura do selo de garantia do Inmetro. Também verifico se o brinquedo apresenta pontas e se há peças que podem se soltar. E só compro presentes que sejam adequados à idade dele”, conta.
A coordenadora regional da ONG Criança Segura, Alessandra Françóia, explica que desde que sejam tomadas algumas medidas de segurança, não há motivos para se preocupar. “A lei que fiscaliza a venda dos brinquedos no Brasil funciona. Os critérios são rigorosos, mas mesmo assim os pais devem estar sempre atentos às características de cada produto.”
Previna-se
• Só compre brinquedos com o selo de garantia do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), observe as recomendações do fabricante e certifique-se de que eles são adequados à faixa-etária da criança.
• Examine os brinquedos antes de comprá-los. Verifique se eles apresentam pontas afiadas, peças muito pequenas ou que podem se soltar, ou se são fabricados com material tóxico, como tintas à base de metais pesados.
• Jogue fora ou conserte imediatamente brinquedos quebrados ou com rachaduras, que podem cortar ou perfurar as crianças.
• Alessandra Françóia, da ONG Criança Segura, ensina: para descobrir se o brinquedo é muito pequeno para uma criança de até três anos, compare o seu tamanho com o de uma embalagem de filme fotográfico. Se o objeto couber no tubo, oferece riscos de sufocação.
• Até os 3 anos, evite dar a criança brinquedos com correntes e cordas com mais de 15 cm de comprimento, pois podem causar estrangulamento. Os que produzem som alto ou que apresentam projéteis também são perigosos.
• Não é recomendado dar brinquedos elétricos, que são ligados na tomada ou que funcionam à base de pilhas e baterias para crianças de até 8 anos. Os aparelhos podem causar queimaduras ou intoxicação.
• Mantenha os brinquedos limpos para evitar contaminação, já que crianças pequenas costumam colocar tudo na boca. Bichos de pelúcia que não estão sendo usados devem ser guardados em sacos plásticos para evitar o acúmulo de poeira, que pode causar alergias. Brinquedos de pano devem ser lavados a cada 15 dias com sabão neutro.
• Quem tem filhos com idades diferentes deve manter os brinquedos das crianças mais velhas longe do alcance dos menores.
• Também é importante supervisionar todas as atividades das crianças, principalmente as que envolvem brinquedos de locomoção como bicicletas e patins. Equipamentos de segurança como capacetes e joelheiras são fundamentais.
• Ensine-os a guardar os brinquedos quando terminarem de usá-los para evitar quedas e acidentes.
Serviço: Alessandra Françóia – ONG Criança Segura, fone (41) 3023-7070 / Clarice Arns da Cunha Warnecke (pediatra), fone (41) 3024-6521 / e-mail clarice.wernecke@gmail.com.
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