Saúde e Bem-Estar

Afeto, mas não só ele

Adriano Justino
14/11/2005 00:09
Se, por um lado, os pais precisam apostar na educação presente e carinhosa, por outro, não adianta ficar apenas na linha do afeto para formar pessoas maduras e felizes. “A família de alta performance sabe fazer negociações com os filhos, mostrar as regras, além das trocas afetivas”, afirma o psiquiatra e educador Içami Tiba.
A história de Cátia Beatriz Pin, de 36 anos, mãe de dois filhos, Maria Helena, de 5 anos, e Davi Otávio, de 2, ilustra bem a idéia. “A Maria Helena é hiperativa e tem déficit de atenção. Por pena, aturava algumas vezes que ela me batesse em lugares públicos quando estava nervosa ou tinha brigado na escola. Sabia que não estava certo mas, ao mesmo tempo, não sabia como agir”, conta.
A partir do conselho de uma psicóloga, Cátia tomou coragem e mudou a linha de ação. “Antes de sair de casa conversei com ela sobre isso, que não estava certo bater na mãe. Deixei-a na escola e, na volta, ela quis me bater. Engoli a vergonha, falei forte e sério com ela na frente dos outros e perguntei por que queria fazer aquilo. Ela disse que tinha brigado com uma amiga. Então disse a ela que voltasse para a sala de aula, fizesse as pazes e depois viesse falar comigo. Quando ela saiu, fiquei com medo de ter sido dura demais. Foi ótimo, ela nunca mais tentou me bater, não precisei surrar, apenas ter uma atitude firme. Hoje, em qualquer lugar, não deixo para conversar depois, explico antes e exijo o melhor dela depois. Ela cresceu bastante.”
O ensinamento mais importante que tirou da experiência, segundo Cátia, foi a necessidade dos pais darem regras claras aos pequenos. “Se os pais não mudarem, não dá para esperar a melhora dos filhos. E para isso, a nossa cabeça também tem de mudar, por amor e interesse pelo futuro deles”, recomenda.