Saúde e Bem-Estar

Amadurecer com o sofrimento

Adriano Justino
07/11/2005 00:13
Uma maratona. É assim que a agente de trânsito Nelzi de Fátima Batista Guimarães, 41 anos, define a corrida por inúmeros médicos até descobrir que sua filha, Mona Bianca dos Santos, então com um ano e meio, tinha doença celíaca – seu intestino é intolerante ao glúten, proteína encontrada em pães, bolos, bolachas, pizzas, enfim, tudo que contenha trigo, aveia, centeio, cevada ou malte.
“Sem saber, tudo o que ela comia tinha glúten. No começo fiquei aliviada ao saber o que estava acontecendo, pois pensava que ela ia morrer. Via minha filha emagrecendo, quando dava banho nela eu chorava, e estava ávida pela cura”, conta Nelzi, atual vice-presidente da Associação dos Celíacos do Paraná. “Quando entendi melhor a doença, percebi que na verdade não estava no fim, mas no começo de uma trajetória”, diz.
O diagnóstico mudou a rotina da casa e a mãe passou a fazer um cardápio especial para Mona. “Ela sofria por não poder comer o que os irmãos comiam e por vezes pegou escondido o que não devia. Alguns familiares, que não entendiam a doença, também acabavam dando chocolates quando eu não estava perto. Ela passou mal muitas vezes”, conta Nelzi. “Eu insistia em ajudá-la a fazer as refeições sem complexos ao lado de pessoas que podem comer de tudo pois pensava também no futuro dela, fora de casa ela teria de aprender a conviver com isso”, diz.
Hoje, aos 16 anos, Mona agradece a mãe e vê no seu enfrentamento uma ajuda para fortalecer o seu caráter. “Hoje almocei com minhas amigas que comeram dois pedações de pizza, mas nem me importei. Elas insistiram que eu experimentasse, mas resisti e nem sofri muito”, diz, vitoriosa. “Antes isso era bastante difícil para mim. Agora, não me importo mais em ser ‘a diferente’ nas festas – levo a minha própria comida – e sei controlar. De alguma forma, o treino adquirido ao controlar a doença ajudou-me a enfrentar e a vencer outras dificuldades da vida com mais garra e firmeza.”