Saúde e Bem-Estar

Aviãozinho descomplicado

Adriana Czelusniak - adrianacz@gazetadopovo.com.br
06/12/2009 02:06
Especialistas da Conferência Internacional de Nutrição declaram que as crianças de hoje têm diversas deficiências nutricionais, e que a causa é cultural. Segundo a nutricionista e doutora em Saúde Pública Andréa Ramalho, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é preciso que os pais se esforcem para garantir aos filhos o consumo de alimentos saudáveis, o que ajudaria a evitar diversos problemas de saúde. “Se não cuidarmos no início da vida estaremos plantando a semente desses males na vida adulta. Talvez não seja possível reverter completamente a situação do organismo se na infância tivermos carências.”
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a ingestão insuficiente de frutas, verduras e legumes é um dos fatores de risco para se desenvolver doenças crônicas como hipertensão, diabetes e queda da imunidade. Por outro lado, o consumo excessivo de calorias e gordura favorece a obesidade e os problemas que a acompanham. Nos últimos 30 anos, dobrou o número de meninas com excesso de peso e entre os meninos o número mais do que quadruplicou. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, pelo menos 10% das crianças e adolescentes estão acima do peso.
Causas
Muitas vezes o problema do excesso de peso aparece por causa de atitudes tomadas pelos próprios pais. Se o filho não aceita almoçar, eles acabam “compensando” oferecendo sobremesas ou guloseimas, menos saudáveis – mas adoradas pelos pequenos. Na hora da lancheira, colocam alimentos mais “práticos” como bolos industrializados, bolachas recheadas e sucos prontos. Se a falta de apetite parece ter se tornado um hábito, logo correm para a farmácia em busca de fórmulas ou suplementos que compensam a falta de refeições.
São ações como essas, aliadas ao estilo de vida sedentário, que contribuem para um futuro ganho excessivo de peso e carência de nutrientes importantes. Para evitar isso, vale lembrar que é normal a criança não ter apetite vez ou outra e se ela não está comendo, pode realmente estar sem fome. O jeito é esperar a fome chegar e aí oferecer a refeição adequada. Outra participante da conferência, a nutricionista americana Johanna Dwyer, cientista sênior do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, alertou sobre o uso dos suplementos e lembrou da nossa amiga pirâmide alimentar. “Não adianta tomar suplementos quando se come sanduíches e toma sete copos de refrigerante por dia. A melhor coisa é observar se a alimentação está sendo adequada e a pirâmide alimentar ainda é o melhor guia.”
Se ainda há dúvidas, o melhor é buscar um profissional, segundo a nutricionista Silvia Cozzoli­­­no, presidente Sociedade Brasi­­­leira de Alimentação e Nutrição e Chefe do Departamento de Ali­­­mentos e Nutrição Experimental da Universidade de São Paulo (USP). “Em uma consulta o nu­­­tricionista, quando não o próprio pediatra, faz uma série de perguntas e, conhecendo o quadro do paciente, pode indicar o que ele realmente está precisando”, diz. É possível perceber se há nutrientes faltando no organismo por meio de exames físicos, clínicos e laboratoriais, mas é o questionário, feito pelo profissional, o mais usado. Em uma conversa sobre os hábitos alimentares, horário das refeições e alimentos aceitos e rejeitados pela criança, ele já pode indicar mudanças alimentares ou sugerir o reforço de algum nutriente. Silvia adianta uma dica importante: “Antes de comprar os alimentos para os filhos, dê uma boa olhada no rótulo. Evite produtos com muitas calorias e gorduras. A quantidade de sódio também é importante, quanto menos tiver, melhor”.
No site
Dos 25 micronutrientes essenciais para o nosso organismo, produzimos apenas três. Os outros devem ser buscados em verduras, legumes, frutas, grãos, cereais e sementes, óleos, carnes e leite e, se necessário, em suplementos alimentares. Confira no site do Viver Bem em quais alimentos encontrar cada nutriente e a função que ele exerce no nosso corpo.
Lembre-se que é na infância que se fixam os bons há­­­­bitos e os ví­­­cios alimentares. Leia ainda sobre como evitar equívocos cometidos pelos pais naqueles momentos em que nem aviãozinho funciona.
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A jornalista viajou a convite da Wyeth Consumer Healthcare.
Agradecimentos
Chef Lutcho Roberto Giannini, do Senac-PR.
Modelo Thaiana Jakubiu, da DM Agency, (41) 3243-0202