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Ela olha o prato, detecta um pedaço de vagem boiando na sopa e, apontando o dedinho, diz: “Mamãe não gosto desse ‘verdinho’”. Está aberta a crise na hora do jantar. O que fazer? Pegar o prato, correr para a cozinha e liquidificar a sopa para disfarçar o tal ‘verdinho’? Ou perder a paciência e dar uma bronca disparando simplesmente: “Coma, senão fica de castigo”. Nenhuma das alternativas acima. Segundo os nutricionistas, que com o desafio de promover a alimentação saudável dão expediente de psicólogo, para ensinar a comer de tudo – sonho de dez entre dez mães – há de se dar o exemplo e ter muita persistência. “A educação nutricional é uma ferramenta importante para educar uma criança porque também é uma forma de impor limites”, compara a nutricionista Flávia Ferreira Sguario, especialista em nutrição clínica.
Um desafio compensador, afirma a nutricionista Marilize Tamanini. “Brincadeira, carinho e atenção são importantes. Os pais devem trazer a criança para perto do alimento, levá-la à feira, deixá-la ajudar a preparar uma salada”, diz Marilize, que dá cursos e consultoria a pré-escolas. Em uma delas implantou o “garçom da salada”, quando uma criança – que come salada, obviamente – é eleita para servir os coleguinhas com uma bonita saladeira.
O lúdico é um elemento importante quando o tema é educação nutricional, mas os pais também devem estar atentos às suas próprias atitudes. Não adianta servir suco para seu filho, se você vai sempre de refrigerante. O pai da pequena Fernanda Santos de Oliveira, 4 anos, irmão da nutricionista Marilize, gosta de doces e frituras e come pouca variedade de vegetais. Trabalho extra para a mãe da menina, a secretária Silmara Maria Ferreira dos Santos. Junto com a cunhada, ela explica e corrige hábitos da filha, “tudo em forma de brincadeira”. Como a mãe gosta de tudo o que é saudável, a garota acabou incorporando o bom hábito. “Ela me acompanha: gosta de granola, tomate e até de cebola crua”, comenta a mãe. A saúde agradece. Fernanda está no peso correto para sua idade, seu intestino é “um reloginho” e ela nunca teve uma doença grave. Silmara faz questão de frisar que não proíbe uma guloseima ou outra de vez em quando. “O radicalismo não funciona”, reconhece a titia Marilize. “Nutrir sem proibir, alimentar sem exagerar”, reforça a nutricionista Flávia, repetindo a frase que costuma usar nos cursos que ministra.
Outra questão é a grande oferta de “porcarias” que aborda a criança – os comerciais são bem democráticos neste aspecto, estão tanto na tevê aberta quanto na a cabo. No supermercado, bolachas recheadas, doces e alimentos do gênero são colocados ao alcance da criançada. E quando eles batem o pé, via de regra o primeiro impulso é ceder porque ele está doentinho, porque não comeu bem no almoço, porque você passa pouco tempo com ele… “Os pais não podem usar esse tipo de alimento como compensação da vida moderna”, observa Marilize.
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