Saúde e Bem-Estar

Como não transformar seu filho em um mini-consumidor-compulsivo

Adriano Justino
28/05/2007 00:36
Até os 3 anos, as crianças têm inteligência, mas não controle emocional. Ou seja, elas entendem as negativas e explicações dos adultos, mas não aceitam. É preciso paciência.
• Treine a generosidade da criança, fazendo com que separe e doe brinquedos antigos.
• Deixe a criança desejar: a espera é construtiva. Brinquedos mais caros podem ficar para o aniversário ou Natal.
• “Os brinquedos já brincados têm um valor ainda maior. Antigamente se esperava ansiosamente a bicicleta do irmão mais velho ser reformada para o irmão mais novo. Essa bicicleta já tinha uma história, já tinha um valor na família e tinha o desejo do irmão mais novo”, lembra a psicóloga Fernanda Gorosito.
• Seja firme, jamais ceda a uma birra.
• Brincar com seus filhos vale mais que mil brinquedos. A criança valoriza mui to as brincadeiras com os pais.
• Transmita a seus filhos valores mais humanos e o prazer que as pequenas coisas contêm: uma conversa, estar juntos, compartilhar, a vida em família, estar na natureza. “Mas isso significa viver e não apenas falar. A criança sente quando os pais só falam, percebem que é discurso vazio”, alerta o psicólogo Naim Akel Filho.
• Para o professor de neurociência, as escolas poderiam ajudar nesse processo, ensinando às crianças como seu cérebro funciona. “Sabendo como eu sou, como meu cérebro funciona, me torno menos sensível à manipulação. Usamos muito pouco a capacidade de ser feliz que o cérebro nos dá”, acredita.
• Compartilhe com seu filho quando tiver uma vontade que não pode ser satisfeita no momento. Algo como “Queria tanto essa bolsa, mas agora não posso. Vou guardar dinheiro para comprar depois.” Com naturalidade, sem drama, claro.
• Faça seu filho escolher. Se ele quer duas, três ou dez coisas, peça que escolha uma delas. Procure dizer os prós e os contras de cada brinquedo, assim já é possível transmitir valores, regras, limites e amizade.
• Se comprar demais é ruim, o oposto também pode trazer prejuízos. Nunca dar o que a criança pede pode desenvolver nela baixa auto-estima, a sensação de que nada do que ela deseja é possível. “O consumo é uma realidade, não é possível fingir e impedir que nossos filhos vivam e que não temos nada a ver com isso, mas é bom pensar a necessidade do que queremos consumir: é essencial, importante ou desejável? O que é essencial e importante não se discute – como comida, roupa e material escolar. O que é desejável pode ser negociado, conversado e decidido em conjunto: pais e filhos decidem se vai ser consumido ou não. Aí entra toda parte da espera, do real desejo, do valor, do possível e do impossível”, diz Fernanda.
• Dentro dessa linha, o brinquedo pode ser essencial. “Às vezes pode ser essencial brincar com aquele brinquedo, mas aí entra o papel dos pais de perceber e conhecer seu filho para ajudá-lo a fazer a escolha”, diz Fernanda.
• Mesmo dentro do essencial é possível fazer escolhas. O material escolar mais simples, sem personagens da moda, é mais barato. Mostre isso à criança e negocie um ou outro item.
• Na hora de comprar roupas para a criança, é interessante que ela vá junto e ajude a escolher. Mas observe se seu filho quer apenas o que é de grife e não fica feliz com outras possibilidades. (EB)